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12/12: como a luz decide quando a planta floresce

Redação cbdlovers 14 min

O nome «fotoperíodo» engana: o que a planta mede é o escuro, não a luz. Um período de obscuridade suficientemente longo e ininterrupto é o sinal que desencadeia a floração, e uma interrupção de segundos pode reiniciar a contagem.

É por isso que as estufas se selam, que os interiores se testam ao escuro, e que uma luz de aviso num extractor consegue estragar uma cultura. Esta página explica o mecanismo e as suas consequências práticas.

⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá. Esta página descreve fisiologia vegetal e destina-se a compreensão.

O mecanismo

O pigmento que mede

A planta possui um pigmento sensível à luz vermelha que existe em duas formas interconvertíveis. A luz converte-o numa forma; o escuro permite a reversão lenta à outra.

O que é contado

O tempo que a forma activa demora a reverter durante a obscuridade. Se o escuro for suficientemente longo, a reversão completa-se e o sinal de floração é dado.

Porque é que a interrupção reinicia

Porque um flash de luz reconverte o pigmento instantaneamente. A contagem volta ao início, e a planta lê a noite como duas noites curtas em vez de uma longa.

E porque é que se diz «planta de dia curto»

É a designação clássica em fisiologia, e é imprecisa pela mesma razão. Rigorosamente, é uma planta de noite longa.

Os regimes de luz

18/6 ou 20/4

Fase vegetativa. Noite curta demais para desencadear floração, e a planta cresce em estrutura.

12/12

O regime que desencadeia e mantém a floração em interior. Doze horas de escuro ininterrupto são suficientes com margem para a maioria das variedades.

O ciclo natural exterior

A noite alonga-se progressivamente a partir do solstício de Verão. A floração inicia-se quando a duração da noite ultrapassa o limiar da variedade.

E as variações

Regimes com noites mais longas na fase final são usados por alguns produtores. O efeito é debatido, e o custo em tempo de luz produtiva é certo.

A tabela dos regimes

RegimeFaseO que provoca
24/0vegetativacrescimento contínuo, sem repouso
20/4vegetativacrescimento rápido
18/6vegetativao padrão mais comum
14/10transiçãolimiar de algumas variedades
12/12floraçãoo padrão de interior
11/13 ou menosfloração tardiausado por alguns produtores no fim

A fuga de luz

O que é

Qualquer luz que entre no espaço durante o período de escuro. Uma fresta na porta, o indicador de um aparelho, um telemóvel.

O que provoca

Interrupção da contagem. A planta lê duas noites curtas em vez de uma longa e o sinal de floração enfraquece ou não é dado.

As consequências visíveis

Floração atrasada, retorno parcial ao crescimento vegetativo, e — no cenário mais custoso — desenvolvimento de estruturas reprodutoras masculinas numa planta feminina.

E como se testa

Entrar no espaço durante o período escuro, esperar alguns minutos para a vista adaptar, e procurar qualquer ponto de luz. Se se vê, a planta também «vê».

A excepção: as variedades automáticas

O que as distingue

Florescem em função da idade e não da duração da noite. O gatilho é interno.

De onde vem essa característica

De uma subespécie adaptada a latitudes altas, onde o Verão tem noites muito curtas e a estação é demasiado curta para esperar pelo sinal de escuro.

O que isso permite

Cultivo sob luz contínua ou com regimes longos durante todo o ciclo, e várias colheitas por época em exterior.

E o que isso custa

Menor controlo. Não se pode prolongar a fase vegetativa nem ajustar o momento da floração — a planta decide, e as técnicas de gestão de dossel com stress deixam de ser praticáveis.

O que muda entre interior e exterior

Em interior

O produtor decide a data. A transição faz-se num dia, mudando o temporizador.

Em exterior

Decide a latitude e a estação. A floração inicia-se quando a noite atinge o limiar, e a colheita segue-se algumas semanas depois.

O que a latitude implica

Em latitudes mais a norte, a noite alonga-se mais cedo e a floração começa mais cedo. Em latitudes a sul, mais tarde — e a estação de crescimento é mais longa.

E em estufa

Um híbrido. É possível forçar a floração cobrindo a estrutura para criar escuro artificial, e é uma prática comercial estabelecida em horticultura.

O que isto tem a ver com o produto final

O tempo de floração

Determina quando a planta atinge maturação, e é a informação que os catálogos de variedades publicam.

A previsibilidade

Um ciclo controlado em interior repete-se; um ciclo exterior varia com o ano. É uma das razões da diferença de consistência entre os dois.

O número de colheitas

Em interior, várias por ano. Em exterior, uma — ou mais, com variedades automáticas.

E o que nada disto altera

O boletim. O regime de luz não é uma característica analítica, e o limite de 0,3% de THC total aplicável ao cânhamo industrial nos termos da Portaria n.º 64/2023 mede-se da mesma forma:

THC total = delta-9-THC + (THCA × 0,877)

Como se prepara a transição

Verificar a estanquidade

Antes de mais nada. Entrar no espaço com tudo desligado, esperar que a vista adapte, e procurar pontos de luz.

Confirmar o temporizador

Um temporizador que falha durante a noite é uma fuga de luz com horário. Vale a pena verificar o funcionamento antes de depender dele.

Terminar as intervenções

Corte, dobragem e desfolha significativa fazem-se antes. A partir da transição, a planta não tem margem para recuperar.

E ajustar o espaço

A planta continua a crescer nas primeiras semanas de floração, tipicamente duplicando de tamanho. O espaço tem de contar com isso.

O que acontece nas semanas de floração

As primeiras duas semanas

Crescimento acelerado em altura e formação dos primeiros pontos florais. A planta continua a comportar-se como se estivesse em fase vegetativa.

Da terceira à quinta

Formação da estrutura floral. As brácteas multiplicam-se e a densidade de tricomas começa a subir.

Da sexta em diante

Enchimento. A estrutura já existe e o que muda é a massa e a acumulação de resina.

E a fase final

Maturação. A acumulação abranda e as cabeças de tricoma começam a mudar de cor — é aí que a observação decide a data.

O que a luz artificial mudou

O espectro ajustável

Fontes modernas permitem alterar a proporção entre comprimentos de onda ao longo do ciclo. É uma variável que a luz solar não oferece.

A intensidade controlada

Medida em fluxo de fotões úteis à fotossíntese por unidade de área e de tempo. É o número que descreve o que a planta recebe.

O custo energético

A variável económica dominante de qualquer produção de interior, e a razão pela qual a eficiência das fontes de luz mudou o sector.

E o que continua igual

O mecanismo. Por muito que a tecnologia de iluminação mude, a planta continua a medir a duração ininterrupta do escuro.

As variedades automáticas, em detalhe

O ciclo completo

Tipicamente muito mais curto do que o de uma variedade dependente do fotoperíodo, contado desde a germinação e não desde a transição.

O que isso implica no cultivo

Não há fase vegetativa ajustável. O que a planta construir no tempo que tem é o que terá.

As técnicas compatíveis

Dobragem de baixo stress, sim. Corte e desfolha significativa, mal — não há tempo de recuperação.

E onde compensam

Em exterior, em latitudes onde a estação permite duas ou três colheitas. E em espaços onde o controlo absoluto do escuro é difícil de garantir.

Um glossário curto, para não voltar atrás

Fotoperíodo — a duração relativa de luz e escuro num ciclo de 24 horas.

Planta de noite longa — a designação rigorosa para o que a fisiologia clássica chama planta de dia curto.

Fuga de luz — qualquer luz que entre no espaço durante o período de escuro.

Variedade automática — a que floresce em função da idade e não do fotoperíodo.

Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

A gestão do dossel descreve a técnica que termina nesta transição. O indoor e o exterior compara os ambientes. A cor do tricoma explica como se decide o fim deste ciclo. E o catálogo europeu de variedades explica o que se pode semear legalmente.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar dois produtos

Não vais ver isto no produto. O que se lê é consistência entre lotes, e essa é consequência indirecta do controlo do ciclo.

Se estás a avaliar um vendedor

Pergunta se é produção de interior, de estufa ou de campo. É informação que o produtor tem e que explica a variabilidade entre lotes.

Se estás só a tentar perceber

Guarda a correcção do nome: o que a planta mede é o escuro. Tudo o resto — a fuga de luz, o regime 12/12, as variedades automáticas — decorre daí.

O que este site publica, e porquê

Registamos o ambiente de cultivo quando declarado. É informação descritiva, e não entra na ordenação por preço por miligrama.

Um resumo em cinco linhas

  1. A planta mede o escuro, não a luz. É uma planta de noite longa.
  2. Uma interrupção reinicia a contagem — um flash de segundos chega.
  3. 12/12 é o regime de interior, com margem confortável face ao limiar.
  4. As variedades automáticas florescem por idade, e dispensam o sinal.
  5. Em exterior decide a latitude e a estação, e por isso há uma colheita por ano.

O que a duração do dia decide

O sinal

A planta mede a duração da noite, não a do dia. É a interrupção da escuridão que conta.

A consequência

Noites acima de um certo comprimento desencadeiam a passagem para a fase reprodutiva.

Porque isso importa em cultivo

Porque permite decidir quando a planta muda de fase, alterando o calendário de luz em vez de esperar pela estação.

O que acontece se o sinal for interrompido

Uma luz breve a meio da noite pode reverter ou atrasar a transição. É a falha mais comum em espaços mal vedados.

As variedades que não dependem do dia

Como funcionam

Passam de fase pela idade, não pelo sinal de luz. O calendário está na planta.

A vantagem

Ciclos curtos e previsíveis, e possibilidade de várias colheitas por época em exterior.

O custo

Menor porte e menor rendimento por planta, na maioria dos casos.

O que isto muda no produto

Nada que se meça. Muda o calendário de produção, não a composição do que se colhe.

A luz em exterior

O que decide

A latitude e a época. A duração da noite muda ao longo do ano e a planta reage a isso.

O calendário

Fixo pela estação. Sementeira na Primavera, colheita no fim do Verão ou no Outono, conforme a variedade e o local.

O que não se controla

Nuvens, ondas de calor e chuva na altura errada. A variação entre anos é grande.

O que isto explica

Porque há uma colheita por ano e porque a data dela é a informação mais relevante para quem compra.

A luz em interior

O que se controla

Duração, intensidade e espectro, todos independentes uns dos outros.

O que isso permite

Colheitas ao longo do ano e lotes mais parecidos entre si.

O que custa

Energia, e é a maior parcela do custo de produzir em interior.

O que não substitui

O sol tem um espectro que nenhuma lâmpada reproduz por inteiro. Há quem lhe atribua efeito no perfil, e falta medição publicada.

A intensidade, que é outra variável

Pouca

Plantas alongadas, flores pouco densas, rendimento baixo.

Muita

Maior densidade, e a partir de certo ponto danos por excesso.

Onde está o ponto

Depende da variedade e das restantes condições. Não há valor universal.

O que isto explica

Diferenças de densidade entre material de interior e de exterior, que se vêem à vista e não dizem nada sobre teor.

O que a maturação faz ao perfil

O aroma desloca-se

Ao longo das últimas semanas, de forma contínua. Antecipar ou atrasar a colheita muda o que se cheira.

O teor sobe e estabiliza

Com um patamar, e depois começa a descer se a colheita se atrasar de mais.

A proporção entre compostos

Também se desloca. É por isso que a data da colheita é decisão técnica e não conveniência.

Como se decide

Observando as glândulas com ampliação e acompanhando por análise, quando existe.

O que a lei acrescenta ao calendário

A amostragem oficial

Faz-se em período definido, ligado à floração, e segundo procedimento estabelecido.

O que isso obriga

A declarar a parcela e a manter o calendário compatível com a inspecção.

O que acontece se o valor exceder

O porte não pode ser usado para o fim declarado. É uma perda total da campanha nessa parcela.

Porque isto se relaciona com esta página

Porque a data da colheita é ao mesmo tempo decisão agronómica e obrigação legal, e as duas nem sempre apontam no mesmo sentido.

O que chega ao consumidor

A data de colheita

Uma por ano em exterior, várias em interior. Explica idade e explica aroma.

O boletim do lote

Que mede o que a decisão de calendário produziu.

O que não chega

O calendário em si. Nenhum rótulo europeu indica a duração do ciclo nem o regime de luz.

O que seria útil

A data. É um dado que existe sempre e falta quase sempre.

O que perguntar

A data de colheita

Não a de embalamento, que é outra coisa e costuma ser a única indicada.

O ambiente de cultivo

Porque explica a densidade e o perfil de contaminantes esperável.

O boletim com o lote

Como em qualquer produto desta categoria.

O teor em miligramas

Para comparar com qualquer outra oferta.

O que fica por resolver

O efeito do espectro no perfil

Afirmação repetida, medição ausente. Seria comparação simples de fazer.

A ausência de data na maioria das embalagens

Que impede interpretar tudo o resto.

A confusão entre densidade e qualidade

Densidade é consequência da luz. Qualidade mede-se no boletim.

O que o produto faz

Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.

Perguntas frequentes

Porque é que 12/12 e não outro valor?

Porque doze horas de escuro ultrapassam com margem o limiar da generalidade das variedades, e porque divide o dia em duas metades iguais, o que simplifica a operação.

Uma luz verde não conta?

A sensibilidade do pigmento é menor no verde do que no vermelho, e por isso a luz verde é usada como compromisso. Menor sensibilidade não é ausência de sensibilidade.

O que acontece se houver fuga de luz?

Floração atrasada ou incompleta, e em casos mais graves o aparecimento de estruturas reprodutoras masculinas numa planta feminina.

As automáticas são piores?

São diferentes. Menos controlo e ciclo mais curto, em troca de independência do fotoperíodo e de várias colheitas por época.

Isto aplica-se ao cânhamo de campo?

A fisiologia é a mesma. A cultura extensiva para fibra e semente é semeada e colhida em função da estação, sem controlo do ciclo.