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As estrelas do hash medem peneiração, não potência

Redação cbdlovers 14 min

A escala de estrelas do hash mede uma coisa e o mercado vende-a como se medisse outra. Mede pureza da peneiração — quanta resina e quanto material vegetal estão no produto. Não mede potência, não mede qualidade da matéria-prima, e não é normalizada por ninguém.

Perceber o que a escala descreve muda a leitura de uma etiqueta que se encontra em quase todo o mercado europeu.

⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá, e as resinas seguem o mesmo enquadramento. Esta página descreve uma convenção de mercado que existe noutros países.

O que a escala mede

O critério real

O comportamento ao calor. Um material que derrete completamente sem deixar resíduo separou bem: tem sobretudo cabeças de tricoma. Um que deixa cinza tem material vegetal.

Os níveis, como são usados

EstrelasO que descreve
muito material vegetal; não derrete, queima
★★contaminação visível; derrete parcialmente com resíduo
★★★derrete de forma irregular; qualidade corrente
★★★★derrete bem, resíduo mínimo
★★★★★derrete quase completamente
★★★★★★full melt — derrete completamente, sem resíduo

O que isso implica

A escala é uma medida indirecta da razão entre resina e resto. É útil e é subjectiva.

Porque é que não é normalizada

Não há entidade que a defina

Nenhum organismo publica critérios. Cada produtor ou cada mercado usa a escala à sua maneira.

O teste é qualitativo

«Derrete completamente» depende da temperatura aplicada, do tempo e de quem observa.

E o incentivo é assimétrico

Quem vende classifica. Um material que um produtor chama cinco estrelas pode ser o que outro chama três.

O que isso significa na prática

A escala serve para comparar dentro do mesmo fornecedor, e serve mal para comparar entre fornecedores. É o oposto de como é usada.

O que decide o número de estrelas

O método de separação

Bubble hash bem executado separa melhor do que dry sift, porque o meio líquido transporta os tricomas e deixa o vegetal para trás.

A malha usada

As fracções do meio — 73 e 90 mícrones — concentram cabeças íntegras com pouco material vegetal. As malhas grandes trazem contaminação; as muito pequenas trazem fragmentos.

A técnica

Agitação excessiva parte material vegetal em pedaços que passam as peneiras. É a variável em que a experiência mais se nota, com o mesmo equipamento.

A prensagem

Prensar a quente funde as cabeças e altera o comportamento ao calor. Um material que seria full melt em pó pode deixar de o ser depois de prensado com calor a mais.

O que NÃO decide

A genética da planta, o teor de canabinóides, e a presença de contaminantes. Nada disso entra na escala.

O que a escala não substitui

O boletim

Composição, THC total e contaminantes só se sabem por análise. Seis estrelas não dizem nada sobre pesticidas.

A conta do THC

A resina concentra tudo o que estava na matéria-prima:

THC total = delta-9-THC + (THCA × 0,877)

Uma flor abaixo dos 0,3% pode dar uma resina acima. O estatuto mede-se no produto final.

O painel de micotoxinas

É o painel que corresponde ao risco real destes produtos, sobretudo nos que passaram por secagem.

Como usar a escala com proveito

Como ponto de partida

Um produto anunciado como uma ou duas estrelas está a admitir contaminação vegetal. É informação honesta.

Como comparação interna

Dentro do catálogo do mesmo fornecedor, a escala ordena de forma útil.

Como pergunta

«Que malha, e como classificam?» — as duas perguntas juntas dizem muito mais do que qualquer das duas isolada.

Como não usar

Como argumento de potência, ou como comparação entre marcas diferentes.

A origem da escala, e porque é que pegou

Vem do mercado, não da ciência

A classificação por estrelas nasceu no comércio informal, muito antes de haver laboratórios a analisar resinas. Era a forma de descrever qualidade sem instrumentos — e para essa finalidade funcionava bem.

O teste original

Aquecer uma pequena quantidade e observar. Material puro derrete e borbulha; material com folha queima e deixa cinza. É observável, é imediato, e não precisa de equipamento.

Porque é que sobreviveu

Porque continua a responder a uma pergunta real: quanto do que estou a comprar é resina? É a pergunta certa; o que falta é uma régua comum.

O que a substituiria

A malha declarada, e o boletim. A primeira diz que tamanhos foram separados; o segundo diz o que lá está. Nenhuma das duas é subjectiva.

Como comparar sem depender de estrelas

Pergunta pela malha

«73 µm» é uma informação verificável. «Cinco estrelas» é uma opinião do vendedor.

Observa o comportamento ao calor

É o mesmo teste que fundou a escala, feito por ti em vez de por quem vende.

Cheira

O aroma diz mais sobre a matéria-prima do que a separação diz. Uma resina bem separada de material sem cheiro continua a não ter cheiro.

E lê o boletim

Composição, THC total com o factor, e os painéis. É a única parte que não é interpretação.

Uma nota sobre preços

As fracções mais limpas são uma parte pequena do total peneirado, e é isso que explica a diferença de preço — não uma qualidade intrínseca superior da matéria-prima.

Um produtor que peneira cem gramas de flor obtém talvez alguns gramas na fracção de 73 mícrones e bastante mais nas malhas maiores. Vender as fracções em separado é o que permite cobrar cada uma pelo que vale; misturar tudo é vender a fracção boa ao preço da média.

Quando um produto não declara a malha, está quase sempre a ser a mistura.

O que existe do outro lado: os indicadores objectivos

A escala de estrelas ocupa o lugar que, num mercado maduro, seria ocupado por medidas. Vale a pena saber quais são, porque existem e são verificáveis.

A malha declarada

Diz que tamanhos de tricoma foram separados. É um número, não uma opinião, e explica directamente o que está no saco.

O rendimento por fracção

Um produtor que sabe quanto obteve em cada malha conhece o seu processo. Raramente é publicado e é uma boa pergunta.

O boletim de canabinóides

Composição real, com CBD e THC totais calculados com o factor 0,877. É o único indicador que não depende de quem observa.

O painel de contaminantes

Pesticidas, metais e micotoxinas. Numa resina, a concentração da matéria-prima significa que estes compostos também se concentram — e é aqui que a análise mais importa.

O teor de humidade

Raramente medido e muito informativo. Material com humidade a mais é o que cria condições para crescimento fúngico depois de embalado.

Como isto se compara com outros mercados

No vinho

Existem denominações, análises obrigatórias e classificações reguladas. A subjectividade da prova convive com um enquadramento objectivo.

No azeite

Categorias legais definidas por parâmetros analíticos — acidez, índice de peróxidos, análise sensorial normalizada por painel treinado.

No hash

Nada disto. Uma escala de estrelas sem definição, aplicada por quem vende.

Não é uma crítica ao produto — é uma descrição do estado do mercado, e explica porque é que a insistência no boletim não é pedantismo: é o único substituto disponível para uma classificação que não existe.

Um exercício útil

Da próxima vez que vires uma etiqueta com estrelas, faz três perguntas:

  1. Quem atribuiu? — o produtor, o distribuidor ou a loja?
  2. Com que critério? — comportamento ao calor, cor, malha, ou impressão?
  3. Há boletim? — se houver, as estrelas passam a ser decoração.

A terceira torna as outras duas irrelevantes, e é essa a conclusão prática desta página.

Um glossário curto, para não voltar atrás

Full melt — material que derrete completamente ao calor, sem resíduo. O topo da escala.

Dry sift — separação de tricomas por peneiração a seco.

Malha — o tamanho de abertura da peneira, em mícrones. Determina que tamanhos de tricoma passam.

Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra.

LOQ — limite de quantificação. A concentração mais baixa a que o método atribui um valor fiável.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

As malhas do bubble hash explicam a separação por tamanho que a escala tenta resumir. O pólen explica o dry sift prensado. E ler a textura de uma resina descreve o outro indicador tátil, com os mesmos limites.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar dois produtos

Só compares estrelas se vierem do mesmo fornecedor. Entre fornecedores, compara malha declarada e boletim.

Se estás a avaliar um produtor

Um que explica o critério que usa está a dizer-te que pensou nisso. Um que só põe estrelas na etiqueta está a usar uma convenção sem a definir.

Se estás só a tentar perceber

Guarda a correcção: estrelas medem separação, não força. Um seis estrelas de matéria-prima medíocre é um material muito bem separado de uma planta pouco interessante.

O que este site publica, e porquê

Não usamos a escala como critério de comparação, porque não é normalizada. Registamos a malha quando é declarada, que é a informação equivalente e verificável.

Um resumo em cinco linhas

  1. O boletim tem de ser do lote que vais receber. Sem isso, e um documento sobre outra producao.
  2. O CBD e o THC totais calculam-se com o factor 0,877 sobre a fraccao acida. A soma directa sobrestima sempre, e sempre a favor de quem vende.
  3. Os quatro paineis de contaminantes contam-se: metais, pesticidas, micotoxinas e solventes. O ultimo so faz sentido em produtos obtidos com solvente — e e o que mais falta neles.
  4. O preco por miligrama e a unica comparacao que e aritmetica e nao opiniao. Faz-se a partir do volume, da percentagem e do preco, nunca a partir de um numero apresentado por quem vende.
  5. Em Portugal o limite e 0,3% de THC total para o canhamo industrial, nos termos da Portaria n.º 64/2023. E um concentrado nao herda o estatuto da materia-prima: mede-se no produto final.

Estas cinco linhas resolvem a maior parte das decisoes de compra deste sector. Tudo o resto — cor, textura, aroma, nome da variedade, estrelas na etiqueta — e util para formar hipoteses e nao chega para as confirmar.

O que a classificação por estrelas afirma

Uma escala de qualidade

Geralmente de uma a cinco ou seis, atribuída pelo vendedor.

Baseada em quê

Em critérios não declarados, que variam de casa para casa.

Quem a atribui

Quem vende, sem verificação independente.

O que isso vale

Como orientação dentro de um catálogo. Nada fora dele.

Porque não se compara entre lojas

As escalas diferem

Uma casa usa cinco níveis, outra seis, outra três.

Os critérios diferem

Umas ponderam aspecto, outras aroma, outras teor.

O ponto de partida difere

O melhor de uma casa pode ser o médio de outra.

O que isso implica

Que a mesma classificação em dois sítios não descreve a mesma coisa.

O que a classificação costuma reflectir

Aspecto

Cor, textura e ausência de matéria vegetal visível.

Aroma

Avaliado sensorialmente por quem classifica.

Preço

Frequentemente, porque a classificação segue o posicionamento.

O que raramente reflecte

Teor medido e resultados de painéis, que são os dados verificáveis.

Porque isto é um problema

Substitui dados por impressão

Numa categoria onde os dados existem e são obteníveis.

Cria hierarquia sem base

Que o comprador toma por informação.

Justifica preço

Sem nada de mensurável por trás.

O que resolve

Ignorar a classificação e ler o boletim.

O que uma classificação útil precisaria

Critérios declarados

Publicados, com o peso de cada um.

Medições

Teor e painéis, e não apenas apreciação sensorial.

Verificação independente

Por terceiro sem interesse na venda.

Comparabilidade

Entre casas, o que exigiria norma comum.

O que existe em vez disso

Escalas próprias

Definidas por cada casa e não comparáveis.

Adjectivos

Que descrevem sem medir.

Fotografias

Que mostram o melhor exemplar de um lote.

O que se pode fazer com isto

Usar dentro da mesma casa, para ordenar a oferta dela. Mais nada.

O que se pode verificar por conta própria

Aspecto

Uniformidade, ausência de matéria vegetal, estado das glândulas com ampliação.

Aroma

Ao corte, à temperatura ambiente, uma amostra de cada vez.

Comportamento ao calor

Que indica proporção de matéria vegetal em material processado.

O boletim

Que é o único passo que produz um dado verificável.

Como comparar entre lojas

Pelo teor em miligramas

Que é comparável entre qualquer oferta.

Pelos painéis

Existência, cobertura e datas.

Pelo preço por miligrama

Que remove o efeito do formato e da apresentação.

Pela transparência

Se o boletim está acessível sem pedir, ou se é preciso insistir.

O que perguntar a quem classifica

Os critérios

Quais são e com que peso.

Se há medição

Ou se é apreciação sensorial.

Quem classifica

Se é a própria casa ou um terceiro.

O que a resposta revela

Quase sempre, que a escala é interna e sensorial. Isso não é fraude, mas também não é informação.

O que fica por dizer

Se estas escalas são úteis

Dentro de um catálogo, alguma. Fora dele, nenhuma.

Se poderiam ser úteis

Poderiam, com critérios declarados e medição.

O que o produto faz

Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.

O que recomendamos

Usar a classificação para navegar um catálogo e o boletim para decidir.

Como surgiu esta forma de classificar

Do comércio informal

Onde não havia análise e era preciso alguma forma de ordenar a oferta.

Por analogia

Com escalas usadas noutros produtos, onde existem critérios definidos.

Sem nunca ser formalizada

Ao contrário do que sucedeu nesses outros produtos.

O que dela restou

O formato, sem o conteúdo que noutros sítios lhe dá sentido.

O que existe noutras fileiras

Critérios publicados

Com parâmetros medidos e pesos declarados.

Organismos de certificação

Independentes de quem produz e de quem vende.

Rastreabilidade

Que liga a classificação a um lote concreto.

O que falta aqui

As três coisas, e é por isso que a escala não transporta significado.

O que uma casa séria publica em vez de estrelas

O teor medido

Por lote, em miligramas e em percentagem.

Os painéis

Com valores, limites e método.

A data

De produção e do boletim.

O lote

Que liga o documento ao objecto. Quatro dados, todos verificáveis, nenhum dos quais é uma opinião.

Perguntas frequentes

Seis estrelas é sempre melhor?

Melhor separado, sim. Não necessariamente melhor produto — a matéria-prima pode ser medíocre.

Porque é que um seis estrelas custa tanto mais?

Rendimento. As fracções mais limpas são uma parte pequena do total peneirado.

Existe equivalente para outros concentrados?

Não com a mesma tradição. Nos concentrados com solvente, o indicador equivalente é o painel de solventes residuais — que é objectivo e mensurável.

Um produto sem estrelas é pior?

Não. Muitos produtores não usam a escala precisamente por não ser normalizada.

Posso testar em casa?

O comportamento ao calor observa-se. Não é diagnóstico de composição nem de segurança, e não substitui análise.