De onde vêm os nomes das variedades
Há cinco famílias de nomes neste sector, e cada uma nasceu numa época. Geografia nos anos setenta, homenagem nos noventa, aroma sempre, sobremesa nos anos dois mil e dez, e efeito — a família mais antiga e a mais problemática.
Nenhuma é verificável, porque não existe registo de linhagens comerciais nem entidade que arbitre o uso de nomes. Esta página organiza as cinco e explica o que cada uma consegue comunicar.
⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá. Esta página descreve vocabulário comercial e destina-se a compreensão.
A família geográfica
De onde vem
Dos anos setenta, quando material de proveniências distantes entrou no circuito ocidental e foi identificado pela região de origem.
O que comunicava então
Origem real. O nome descrevia de onde a genética viera, e isso era informação.
O que comunica hoje
Um estilo. Estrutura, ciclo e expectativa de perfil, sem qualquer ligação verificável à região.
Os exemplos
Nomes de cordilheiras, de vales e de países. Sobrevivem em quantidade e nenhum é verificável.
A família aromática
De onde vem
Da descrição sensorial directa. É a mais antiga em espírito e a mais transversal a todos os sectores agrícolas.
O que comunica
Uma expectativa de perfil, verificável num boletim de terpenos quando existe.
Porque é que é a melhor das cinco
Porque é a única cuja afirmação tem uma análise correspondente. Um nome que promete citrinos confirma-se ou desmente-se.
E o limite
O perfil dilui-se em cruzamentos e perde-se na pós-colheita. Um nome aromático descreve o potencial, não o que chegou ao frasco.
A família da homenagem
De onde vem
Dos anos noventa, quando o circuito comercial de sementes se formou e as casas começaram a baptizar variedades com nomes de pessoas.
O que comunica
Nada sobre o produto. É reconhecimento de uma pessoa ou de uma figura.
Porque é que persiste
Porque é memorável e porque não faz nenhuma afirmação verificável — o que, do ponto de vista regulamentar, é uma vantagem.
E a armadilha
O nome sobrevive à variedade. Ao fim de décadas, designa um tipo e não um material.
A família da sobremesa
De onde vem
Dos anos dois mil e dez, do mercado californiano, com a análise de terpenos a permitir seleccionar para perfis doces.
O que comunica
Uma expectativa sensorial elaborada, com vocabulário de pastelaria.
Porque é que funcionou
Porque descrever por analogia alimentar é imediato, memorável e não exige formação de quem lê.
E o problema
Inflação. Centenas de nomes sem forma de os distinguir uns dos outros, salvo pelo boletim.
A família do efeito
De onde vem
Da tradição comercial mais antiga, e é a que mais circula em nomes herdados de décadas passadas.
O que comunica
Uma expectativa sobre o que o produto provoca. Num produto de consumo, isso é uma alegação.
O problema regulamentar
Não existe na União Europeia uma única alegação de saúde autorizada para o canabidiol. Um nome que sugere efeito entra em terreno que a lei regula.
E o que o mercado faz com isso
Renomeia, na maior parte dos casos sérios. É a solução mais simples e a única que resolve o problema de raiz.
A tabela das cinco famílias
| Família | Época dominante | O que comunica | Verificável | Risco regulamentar |
|---|---|---|---|---|
| Geográfica | anos setenta | estilo e estrutura | não | baixo |
| Aromática | sempre | perfil esperado | sim, com boletim | baixo |
| Homenagem | anos noventa | nada sobre o produto | não aplicável | baixo |
| Sobremesa | anos dois mil e dez | perfil doce esperado | sim, com boletim | baixo |
| Efeito | tradição antiga | expectativa de efeito | não | alto |
O que existe do lado formal
As denominações registadas
Variedades inscritas no catálogo comum têm denominações que passaram por verificação de aceitabilidade. É o único sistema formal que existe.
O que essa verificação faz
Recusa nomes ambíguos, confundíveis com outros já registados, ou enganosos.
O que essa verificação não faz
Não descreve o produto. Uma denominação registada identifica uma variedade; não promete perfil nem característica.
E porque é que raramente coincidem
Porque os nomes comerciais nasceram fora deste sistema e nunca foram submetidos. São dois universos paralelos.
Como se lê um nome, então
Identificar a família
Geografia, aroma, homenagem, sobremesa ou efeito. Cada uma comunica coisas diferentes.
Não confundir com descrição
Nenhum nome descreve composição. Isso está no boletim, e só lá.
Verificar o que é verificável
Um nome aromático confirma-se num perfil de terpenos. É a única família com correspondência analítica.
E fazer a conta
THC total = delta-9-THC + (THCA × 0,877)
Com o limite de 0,3% aplicável em Portugal ao cânhamo industrial. O nome não altera esta linha em nada.
O que aconteceria com um registo de linhagens
Identidade verificável
Um nome ligado a material genético concreto, confirmável por análise. É o que falta e é o que resolveria a maior parte do problema.
Comparação legítima
Dois produtos com o mesmo nome passariam a ser comparáveis. Hoje não são.
Responsabilidade pelo uso
Consequência para quem usasse um nome sem corresponder ao material. Sem sanção, não há sistema.
E o que continuaria igual
O peso do boletim. Mesmo com identidade verificada, é a análise do lote que descreve o que se recebe.
Como isto se compara com outros sectores
As castas de videira
Registadas, identificáveis por análise genética e com correspondência entre nome e material.
As variedades de macieira
Registadas pelos critérios gerais das espécies agrícolas, com propagação vegetativa controlada.
O lúpulo
Variedades registadas e caracterizadas por perfil de óleos essenciais publicado. É o paralelo mais próximo do que este sector poderia ter.
E o café
Variedades identificadas, com denominações de origem em algumas regiões e com protocolos de prova normalizados.
A inflação de nomes, e o que a alimenta
A ausência de custo
Baptizar não custa nada e não exige autorização. Qualquer produtor pode fazê-lo a qualquer momento.
O valor comercial da distinção
Um nome novo destaca-se num catálogo. O incentivo aponta todo na mesma direcção.
A ausência de consequência
Nenhuma entidade verifica, e portanto nenhum uso errado tem custo.
E o efeito acumulado
Centenas de nomes que não se distinguem entre si, e um comprador para quem o nome deixou de ser informação.
As famílias que não entraram nesta lista
Os nomes de fantasia
Palavras inventadas, sem raiz descritiva. Comuns e sem qualquer conteúdo — o que, do ponto de vista regulamentar, é a opção mais segura.
Os nomes com número
Designações alfanuméricas usadas por obtentores durante o desenvolvimento. Por vezes chegam ao mercado tal como estão.
Os nomes de acontecimento
Referências a datas, a lugares de encontro ou a episódios do meio. Circulam sobretudo em nichos.
E as denominações do catálogo
Formais, verificadas quanto a aceitabilidade, e sem correspondência com qualquer das famílias comerciais.
Um glossário curto, para não voltar atrás
Denominação formal — o nome de uma variedade aceite no processo de registo europeu.
Nome comercial — designação livre, sem registo nem verificação.
Linhagem — o conjunto de variedades que descendem de um material parental comum.
Alegação — afirmação sobre propriedades de um produto que a lei regula.
Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra.
As cinco verificações que servem para tudo
- Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
- O laboratório é independente e acreditado?
- O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
- Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
- Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?
Como isto se cruza com o resto do site
A Amnesia descreve o caso mais claro da família do efeito. A Gelato descreve a família da sobremesa. O Kush descreve a família geográfica. E o catálogo europeu descreve o único sistema formal que existe.
O que fazer com isto na prática
Se estás a comparar dois produtos
O nome não entra. Compara boletim, perfil de terpenos quando existe, e preço por miligrama.
Se estás a avaliar um vendedor
Nomes da família do efeito indicam falta de cuidado regulamentar. É um sinal sobre a operação, não sobre o produto.
Se estás só a tentar perceber
Guarda as cinco famílias. Saber a que família um nome pertence diz imediatamente o que esperar dele — e o que não esperar.
O que este site publica, e porquê
Registamos nomes comerciais como nomes comerciais, e não repetimos expectativas que eles sugerem. Quando a variedade é registada, verificamo-la contra o catálogo.
O que este site regista, campo a campo
O nome comercial
Como campo de identificação, e nada mais. Não é usado em ordenação nem em cálculo.
A variedade declarada
Quando existe, verificada contra o catálogo comum europeu. É a única verificação pública e gratuita que este sector oferece.
O perfil de terpenos
Quando publicado, com data e com valores por composto. É o que confirma uma expectativa aromática.
E a concentração
Verificada no boletim do lote, e é a partir dela que o preço por miligrama se calcula. É o número que decide a ordenação.
Como se lê um catálogo com isto na cabeça
Passar os olhos pelos nomes
Identificar a família de cada um leva segundos e diz imediatamente o que esperar de cada ficha.
Procurar a variedade declarada
Se existe e consta do catálogo europeu, é a afirmação mais forte da página. É raríssima.
Descer ao boletim
É onde a informação está. Concentração, painéis, lote e data.
E fazer a conta
Preço por miligrama, do mais barato ao mais caro. É a ordenação que este site aplica e a que ignora nomes por completo.
O que um nome nunca vai dizer
A concentração
Está no boletim, e não há nome que a aproxime.
Os contaminantes
Também. Nenhum nome descreve segurança em nenhum sentido.
A idade do lote
Está na data de embalagem, quando declarada. Um nome com décadas não diz nada sobre um lote de hoje.
E o preço por miligrama
A conta que decide a comparação, e a única coisa nesta lista que qualquer pessoa consegue fazer sozinha.
Um resumo em cinco linhas
- Cinco famílias: geografia, aroma, homenagem, sobremesa e efeito.
- Só a aromática tem correspondência analítica — confirma-se num perfil de terpenos.
- A do efeito é a única com risco regulamentar alto, porque é uma alegação.
- Nenhuma é verificável quanto a identidade, porque não há registo de linhagens.
- As denominações do catálogo europeu identificam variedades e não descrevem produtos.
De onde vêm os nomes
De melhoradores
Que baptizam o que criam, sem regra nem registo.
De características
Aspecto, aroma ou comportamento da planta.
De referências culturais
Filmes, música, lugares e pessoas.
De nada em particular
Muitos são escolhidos apenas por soarem bem.
Porque não estão protegidos
Não são marcas
Salvo raras excepções em que alguém as registou.
Não são variedades registadas
Que é outro sistema, com outros nomes.
Não há organismo que os verifique
Nem base de comparação para o fazer.
O que isso permite
Que qualquer casa use qualquer nome para qualquer material.
O que a designação registada é
Um nome no catálogo
Atribuído no processo de inscrição da variedade.
Frequentemente diferente
Do nome comercial, e sem relação evidente com ele.
Verificável
Num catálogo público e acessível.
O que raramente aparece
No rótulo, onde o nome comercial ocupa o lugar.
Como se multiplicam
Por composição
Juntando dois nomes conhecidos.
Por sufixo
Acrescentando uma palavra que sugere uma característica.
Por numeração
Que às vezes designa um indivíduo seleccionado e às vezes nada.
O que isso produz
Um vocabulário que cresce sem que ninguém o organize.
O que o nome promete
Um perfil
De aroma e de aspecto.
Uma expectativa de comportamento
Construída por reputação.
Nada verificável
Porque não se liga a material de referência.
O que isso significa
Que a promessa central é a menos verificável de todas as afirmações num rótulo.
O que sobrevive ao processamento
Em flor
O aspecto e o perfil, em parte.
Em extracto
Nada identificável, porque o material genético não sobrevive.
O que o nome faz então
Descreve a origem declarada do material de partida.
Como se verifica
Não se verifica.
O que seria preciso para verificar
Uma base de referência
Com material depositado por variedade.
Um método
Análise genética adaptada a esta espécie.
Um organismo
Independente de quem vende.
Porque não existe
Porque a categoria é recente na União e ninguém o exigiu.
O que se pode fazer entretanto
Ler o nome como descrição
E não como garantia.
Verificar a variedade registada
Se o material é europeu.
Comparar boletins
Que é onde a comparação se decide.
Guardar histórico
Para saber se a casa é constante, independentemente dos nomes que usa.
O que perguntar
A variedade inscrita
Que é a única designação com existência formal.
O criador
Se o vendedor o sabe indicar.
O boletim
Com lote e data.
O que a resposta revela
Se a casa distingue nome comercial de variedade, ou se as confunde.
O que fica por dizer
Se os nomes correspondem
Não é verificável hoje.
Se isso vai mudar
Exigiria um sistema que não está em construção.
O que o produto faz
Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.
O que recomendamos
Usar os nomes para navegar e o boletim para decidir.
O que acontece quando duas casas usam o mesmo nome
O material difere
Por origem, por cruzamento e por cultivo.
A expectativa é a mesma
Porque o nome é o mesmo.
O comprador atribui a diferença ao cultivo
Quando frequentemente é diferença de material.
O que resolve
Comparar boletins, que é a única forma de saber o que se está a comparar.
O que uma casa séria faz com os nomes
Indica o criador
Quando o conhece, o que desambigua.
Indica a variedade registada
Quando o material é europeu.
Não promete o que o nome não garante
E diz que o nome é descritivo.
O que isso vale
É raro, e por isso mesmo é sinal.
O que o comprador constrói com o tempo
Um histórico por casa
E não por nome, que é a unidade errada.
Comparações entre lotes
Com os boletins guardados.
Uma noção de constância
Que nenhum nome oferece.
Porque isso é o que importa
Porque se compra de uma casa, e não de uma palavra.
O que acontece a um nome ao longo de uma década
Multiplica-se
Por composição com outros nomes, até formar uma família com dezenas de membros.
Desprende-se do material
Porque nenhum registo o prende, e cada casa aplica-o ao que entender.
Sobrevive à sua utilidade
Continuando a circular muito depois de deixar de descrever alguma coisa em comum.
O que isso ensina
Que a parte mais fácil de copiar num produto é justamente aquela por que se paga mais.
Perguntas frequentes
Porque é que há tantos nomes?
Porque não há registo nem restrição. Qualquer produtor pode baptizar qualquer material com qualquer nome.
Um nome garante o perfil?
Não. O que confirma um perfil é a análise de terpenos do lote, quando existe.
Os nomes registados são diferentes?
São. Passam por verificação de aceitabilidade e identificam uma variedade concreta — mas também não descrevem o produto.
Porque é que alguns nomes desaparecem?
Porque diluem-se. Ao fim de décadas de uso livre, deixam de designar material identificável.
Os nomes registados no catálogo aparecem nas lojas?
Raramente. As denominações formais e os nomes comerciais nasceram em sistemas diferentes e quase nunca coincidem.
Qual é a família mais útil?
A aromática, porque é a única cuja afirmação se verifica numa análise.