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Entre 90% e 99% está a diferença que se paga

Redação cbdlovers 14 min

Um destilado a 90% e um isolado a 99% parecem quase a mesma coisa, e não são. A diferença não está nos nove pontos percentuais de canabidiol — está no que ocupa os dez por cento restantes do destilado, e que o isolado removeu.

Esses dez por cento são canabinóides menores, uma fracção de terpenos e compostos vegetais. É pouco em massa e é a totalidade da diferença entre os dois produtos.

Os dois processos, lado a lado

A destilação

Depois da extracção e da winterização, o material passa por destilação molecular de percurso curto. É um processo que separa compostos pelo ponto de ebulição sob vácuo elevado — o vácuo baixa as temperaturas necessárias e evita degradar o que se quer preservar.

O resultado é um líquido viscoso, dourado a âmbar, com canabidiol tipicamente entre 80% e 92%.

A cristalização

Para chegar a isolado, o destilado é dissolvido num solvente, arrefecido, e o canabidiol precipita em cristais. Filtram-se, lavam-se e secam-se.

Cada ciclo de cristalização aumenta a pureza. Dois ou três ciclos levam acima de 98%.

O que se perde em cada passo

Na destilação perdem-se os compostos com pontos de ebulição muito diferentes do canabidiol — sobretudo a fracção volátil mais leve.

Na cristalização perde-se tudo o resto. O que fica no licor-mãe são os canabinóides menores, e esse licor é frequentemente reprocessado ou vendido separadamente.

O que está nos dez por cento

Canabinóides menores

CBG, CBC, CBN, CBDV. Em conjunto, tipicamente entre 2% e 6% de um destilado bem feito.

Terpenos residuais

Muito poucos — a destilação remove a maior parte. O que resta são os sesquiterpenos mais pesados, como o cariofileno.

THC

Presente, e é a razão pela qual o destilado precisa de atenção. Em Portugal o limite aplicável é de 0,3% para o cânhamo industrial, nos termos da Portaria n.º 64/2023, e a conta faz-se sempre com o factor:

THC total = delta-9-THC + (THCA × 0,877)

Um destilado concentra tudo, incluindo o THC. Um extracto que estava confortavelmente abaixo do limite pode não estar depois de destilado.

Compostos vegetais menores

Flavonóides, clorofila residual, ceras que a winterização não apanhou.

Como se distinguem num boletim

O isolado

Uma linha com valor alto, todas as outras abaixo do limite de quantificação. É o padrão mais fácil de reconhecer de todos.

O destilado

Uma linha dominante e várias linhas menores com valor mensurável. CBG em décimas de ponto, CBC mais baixo, THC presente mas dentro do limite.

O que denuncia um destilado apresentado como espectro completo

A ausência quase total de terpenos. Um extracto de espectro completo genuíno tem perfil volátil; um destilado não, porque a destilação removeu-o.

Se um rótulo diz «full spectrum» e o boletim mostra canabinóides menores mas nenhum terpeno, o produto é um destilado — e isso é uma descrição mais honesta.

Onde cada um é usado

O isolado

O destilado

O extracto completo

A questão do preço

Porque é que o isolado é mais barato por miligrama

Porque o processo é maduro, reprodutível e escalável, e porque a matéria-prima pode ser de qualidade inferior — a purificação remove quase tudo o resto de qualquer maneira.

Porque é que o destilado custa mais

Menos passos de purificação, mas mais cuidado. E porque preserva uma fracção que tem valor comercial.

Porque é que o extracto completo é o mais caro dos três

Porque exige matéria-prima boa desde o início, extracção cuidadosa, e processamento mínimo. Não há como corrigir depois: o que se perdeu na extracção não volta.

O que isso significa na comparação

Comparar os três pelo preço por miligrama de canabidiol favorece sempre o isolado. É uma comparação correcta e incompleta — está a medir uma variável de três.

Uma nota sobre a recombinação

O que é

Pegar num destilado ou num isolado e adicionar terpenos, de origem canábica ou de outras plantas, para lhe dar perfil.

Porque é que se faz

Porque dá controlo total sobre o resultado, e porque permite reproduzir o mesmo perfil lote após lote — coisa que um extracto natural não permite.

Porque é que é legítimo

Desde que declarado. Um produto recombinado bem rotulado não engana ninguém, e para alguns formatos é a única forma de obter consistência.

Como se detecta

Um boletim com canabinóides pobres e perfil de terpenos rico e «limpo demais» — proporções que nenhuma genética produz naturalmente.

O que verificar

Nos cosméticos e nos alimentos, a declaração dos terpenos adicionados. Vários constam das listas de alergénios de fragrância, e a omissão é incumprimento de rotulagem.

O caminho completo, da planta ao frasco

Ver os passos por ordem ajuda a perceber onde cada produto se separa dos outros.

1. Colheita e secagem

A matéria-prima chega seca e estabilizada. O que se perdeu aqui — sobretudo monoterpenos — nunca mais volta, e nenhum passo posterior o recupera.

2. Extracção

CO₂ supercrítico, etanol, hidrocarbonetos ou pressão mecânica. Sai um extracto bruto: viscoso, escuro, com ceras, clorofila e tudo o que o solvente arrastou.

Quem pára aqui: os produtos de espectro completo menos processados, e alguns concentrados.

3. Winterização

O extracto é dissolvido em etanol, arrefecido a temperatura negativa, e as ceras precipitam. Filtra-se e recupera-se o etanol.

O resultado é mais límpido e mais estável. É também a razão pela qual um produto «sem solventes» pode ter passado por etanol.

4. Descarboxilação

Calor controlado converte a fracção ácida. É o passo que decide quanto CBDA sobra, e o compromisso é sempre o mesmo: mais calor converte mais e destrói mais fracção volátil.

5. Destilação

Separação por ponto de ebulição sob vácuo. Sai o destilado, entre 80% e 92% de canabidiol.

Quem pára aqui: a maior parte dos óleos de gama média, os cartuchos e muitos comestíveis.

6. Cristalização

Dissolver, arrefecer, precipitar, filtrar, lavar, secar. Repetir. Sai o isolado, acima de 98%.

Quem pára aqui: produtos onde a precisão de dose e a ausência de sabor decidem.

7. Formulação

Diluição no óleo portador, eventual recombinação de terpenos, enchimento e rotulagem.

O que cada passo custa

Cada passo acrescenta equipamento, tempo, perda de massa e uma oportunidade de estragar o material.

Isso explica uma coisa que parece contraditória: o produto mais processado nem sempre é o mais caro. Um isolado passou por mais passos do que um extracto de espectro completo e custa menos por miligrama, porque o processo é escalável e a matéria-prima pode ser mais barata.

O extracto completo custa mais precisamente por fazer menos: exige matéria-prima boa desde o início, porque não há purificação posterior que corrija um material medíocre.

Onde é que a rastreabilidade se perde

O problema da mistura

Um destilado industrial pode combinar extractos de vários lotes de matéria-prima. Um isolado, ainda mais.

Isso não é irregular, e é a razão pela qual o lote de produto acabado é a unidade que interessa — o lote de matéria-prima pode já não ser rastreável a uma única origem.

O que perguntar

Se a origem da matéria-prima importa, a pergunta tem de ser feita ao nível certo: não «de onde vem a planta?», mas «este lote de produto vem de que lote ou lotes de matéria-prima?».

O que esperar como resposta

Poucos conseguem responder. Os que conseguem são os que têm sistema de rastreabilidade montado — e esses são também, quase sempre, os que publicam boletim por lote.

Um glossário curto, para não voltar atrás

Destilação molecular de percurso curto — separação por ponto de ebulição sob vácuo elevado. O vácuo permite temperaturas mais baixas e menos degradação.

Cristalização — dissolver, arrefecer e deixar precipitar. Cada ciclo aumenta a pureza.

Licor-mãe — o que fica em solução depois de os cristais precipitarem. Contém os canabinóides menores que o isolado deitou fora.

Winterização — dissolver em etanol, arrefecer e filtrar as ceras.

Recombinação — adicionar terpenos a um destilado ou isolado depois do processamento.

Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra. Torna a soma directa errada, sempre para cima.

LOQ — limite de quantificação. A concentração mais baixa a que o método atribui um valor fiável.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

As três definições de espectro explicam a categoria mais ampla em que estes dois produtos se inserem. Os solventes residuais explicam porque é que o painel importa nos dois — a purificação usa solventes em vários passos. E o factor 0,877 explica a conta que decide se um destilado está dentro do limite legal depois de concentrado.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar dois óleos

Olha para o número de linhas com valor no boletim. Uma linha é isolado; várias com poucos terpenos é destilado; várias com perfil volátil é extracto completo. São três produtos e três preços justos diferentes.

Se estás a avaliar uma loja

Pergunta qual dos três é. Uma loja que responde «espectro completo» sobre um produto sem terpenos no boletim ou não leu o documento, ou está a repetir a ficha do fornecedor.

Se estás só a tentar perceber

Guarda a ideia: o isolado é o canabidiol sozinho, o destilado é o canabidiol com a companhia pesada, e o extracto completo é a planta inteira. Cada passo de purificação remove alguma coisa, e o preço reflecte quanto se removeu e com que cuidado.

O que este site publica, e porquê

Declaramos o que o boletim mostra, não o que o rótulo afirma. Quando os dois discordam, manda o boletim — e a discrepância fica visível na ficha, porque é exactamente o tipo de informação que um comparador existe para dar.

O que separa as duas coisas

O destilado

Uma mistura concentrada, onde uma molécula predomina mas não está sozinha.

O isolado

Uma só molécula, separada de todas as outras.

O que os liga

O isolado obtém-se a partir do destilado, num passo adicional.

O que os distingue na prática

O que ficou. Não é uma diferença de grau, é uma diferença de composição.

Como se obtém o destilado

Extracção

Primeiro passo, que retira o material da planta com um solvente ou sem ele.

Remoção de ceras

Por arrefecimento e filtração, o que clarifica o resultado.

Descoloração

Passagem por materiais que retêm pigmentos, quando necessário.

Destilação

Separação por volatilidade, geralmente a pressão reduzida, que concentra o que interessa.

Como se obtém o isolado

Dissolução

Do destilado num solvente adequado.

Cristalização

Em condições controladas, que fazem a molécula pretendida separar-se em cristais.

Lavagem

Para remover o que ficou aderente à superfície dos cristais.

Secagem

Até remoção do solvente, verificada por análise.

O que se perde em cada passo

Na remoção de ceras

Parte da fracção volátil sai com elas.

Na descoloração

Uma fracção fica retida no material de contacto.

Na destilação

Perde-se o que não é volátil e parte do que é.

Na cristalização

Perde-se tudo o que não é a molécula pretendida.

O que isso faz ao rendimento

Cada passo custa massa

E os custos multiplicam-se, não se somam.

O isolado custa mais

Por ter um passo adicional e o mais destrutivo de todos.

O que isso explica

A diferença de preço entre os dois, que tem base técnica e não apenas comercial.

O que não explica

Diferenças entre produtos com a mesma designação, que são outra conversa.

Os solventes residuais

No destilado

Conforme o processo de extracção usado.

No isolado

Conforme esse e conforme o da cristalização, que também usa solvente.

O erro comum

Assumir que um pó branco não tem solventes. A cor não informa sobre isso.

O que verificar

Painel que cubra os solventes de ambos os passos, e não um painel genérico.

Os contaminantes

Concentram-se

Em qualquer dos dois, porque se remove massa e o que fica sobe em proporção.

A cristalização remove parte

Mas não de forma fiável, porque algumas impurezas acompanham a molécula.

O que isso implica

Que nem o isolado dispensa painéis de pesticidas e metais.

O que o boletim deve mostrar

Todos eles, com o lote e a data.

O que cada um serve melhor

O isolado

Quando é preciso uma quantidade exacta de uma só molécula, sem mais nada.

O destilado

Quando se pretende manter alguma coisa além da molécula principal.

O que ambos exigem

Boletim completo, porque nenhum dos dois é intrinsecamente mais limpo.

O que nenhum resolve

Matéria-prima contaminada, que atravessa qualquer processo.

Como comparar preços

Por miligrama da molécula

E não por grama de produto, porque as concentrações diferem muito.

Com o teor medido

E não o declarado, quando o boletim existe.

Considerando o passo seguinte

Um isolado que vai ser diluído tem custo final diferente de um destilado pronto.

O que a comparação revela

Frequentemente, que a diferença de preço não corresponde à diferença de conteúdo.

O que fica por dizer

Qual é melhor

Depende do uso. Um é mais puro; o outro conserva mais do que veio da planta.

Se o mais puro é mais seguro

Não decorre. Segurança mede-se nos painéis, e ambos precisam deles.

O que o produto faz

Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.

O que recomendamos

Comparar por miligrama e exigir painéis que cubram todos os passos do processo.

O que a aparência diz e não diz

O destilado

Viscoso e de tom âmbar, com variação conforme os passos de clarificação.

O isolado

Pó ou cristais brancos, com aspecto uniforme.

O que a aparência distingue

A categoria. Não é possível confundir os dois a olho.

O que não distingue

Pureza real, solventes residuais e contaminantes. Nada disso tem aspecto.

Porque um pó branco engana

A cor sugere pureza

E a sugestão é forte, mesmo sabendo-se que não decorre.

A pureza declarada

Refere-se à molécula, e não à ausência do resto.

O que pode acompanhar

Solventes da cristalização, humidade e vestígios de outras moléculas.

O que resolve

O boletim, com painel de solventes e limite de quantificação declarado.

Perguntas frequentes

Um destilado é «menos puro» do que um isolado?

Tem menos canabidiol por grama, sim. Se isso é «menos puro» depende do que se procura: os canabinóides menores que o destilado tem não são impurezas, são compostos da planta.

Porque é que os destilados são amarelos ou âmbar?

Pelos compostos que restam. Um destilado muito claro passou por mais passos de purificação e está mais perto de um isolado.

O isolado pode ter THC?

Um isolado bem feito tem THC abaixo do limite de quantificação. Como sempre, «abaixo do LOQ» não é zero absoluto — é abaixo do que aquele método mede.

Um destilado serve para vape?

A viscosidade é adequada, e é um dos usos mais comuns. O que importa verificar é o painel de solventes e, se houver terpenos adicionados, a declaração deles.

Qual dos três devo escolher?

Depende do que valorizas: precisão de dose e ausência de sabor apontam para isolado; perfil da planta aponta para extracto completo; o destilado fica no meio. Nenhum tem superioridade demonstrada em termos que a lei permita afirmar.