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Como se obtém CBD alto e THC baixo

Redação cbdlovers 14 min

Os dois compostos vêm do mesmo precursor, e uma enzima decide qual deles se forma. A planta produz uma molécula intermédia comum; a partir dela, uma via enzimática produz a forma ácida do canabidiol e outra produz a forma ácida do tetra-hidrocanabinol.

Que via domina depende de quais versões do gene a planta herdou. É genética simples o suficiente para ser trabalhada com precisão, e é isso que explica todo o cânhamo de CBD alto que existe hoje.

⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá. Esta página descreve genética vegetal e destina-se a compreensão.

O precursor comum

A molécula de partida

A planta sintetiza um precursor comum a partir do metabolismo geral. É o ponto onde as duas vias ainda não se separaram.

O ramo que se abre

A partir desse precursor, uma enzima produz a forma ácida do canabidiol e outra produz a forma ácida do tetra-hidrocanabinol. São duas enzimas diferentes a competir pelo mesmo substrato.

A terceira via

Existe uma terceira, que produz a forma ácida do canabicromeno. Compete pelo mesmo precursor e é a razão pela qual o balanço nunca é perfeitamente binário.

E o que isso implica

Que as proporções finais dependem de quantas cópias funcionais de cada enzima a planta consegue expressar.

O gene que decide

Duas versões

O gene existe em versões que codificam uma ou outra enzima. Uma planta herda uma versão de cada progenitor.

As três combinações

Duas versões da enzima do canabidiol dão perfil dominado por CBD. Duas versões da outra dão perfil dominado por THC. Uma de cada dá perfil intermédio.

Porque é que o intermédio existe

Porque ambas as enzimas são produzidas e ambas competem pelo precursor. O resultado é uma proporção próxima de um para um.

E porque é que isso torna o melhoramento tratável

Porque é herança de um único locus com efeito dominante e visível. Fixar a característica é comparativamente simples, e mede-se com uma análise.

Como o melhoramento o fixou

O ponto de partida

Populações com plantas que expressavam predominantemente a via do canabidiol. Existiam, e a sua identificação foi o passo inicial.

A selecção

Semear, analisar cada indivíduo, e cruzar apenas os que apresentavam o perfil pretendido.

O retrocruzamento

Cruzar a descendência com um dos progenitores repetidamente, para fixar a característica sem perder outras qualidades da linha.

E a verificação

Análise em cada geração. Sem laboratório, este trabalho é impossível — e é a razão pela qual só se tornou praticável quando a análise ficou acessível.

A tabela dos três perfis

Combinação herdadaPerfil resultanteEnquadramento agrícola na UE
Duas versões da via do CBDdominado por CBDcompatível com o limite
Uma de cadaproporção próxima de um para umtipicamente acima do limite
Duas versões da via do THCdominado por THCfora do enquadramento

Porque é que o zero é impossível

A competição enzimática não é perfeita

Mesmo numa planta com duas versões da via do canabidiol, uma quantidade residual da outra forma aparece.

Os níveis residuais

Muito baixos, e mensuráveis por métodos analíticos sensíveis. Não são zero, e nenhum boletim honesto os declara como tal.

O que «não detectado» quer dizer

Abaixo do limite de quantificação do método. O boletim indica esse limite, e é esse o número que descreve o que se sabe.

E é por isso que a lei fixa um limite e não um zero

THC total = delta-9-THC + (THCA × 0,877)

Em Portugal, o limite aplicável ao cânhamo industrial é de 0,3%, nos termos da Portaria n.º 64/2023. É um limite porque o zero não é uma opção biológica.

O que faz o teor variar dentro da mesma variedade

As condições de cultivo

Stress, luz e temperatura influenciam o teor absoluto de canabinóides, ainda que a proporção entre eles seja largamente genética.

O momento da colheita

A acumulação evolui ao longo da maturação. Uma planta colhida tarde pode estar acima do que estaria uma semana antes.

A parte da planta analisada

A concentração não é uniforme. Uma amostra de topo e outra de folhagem dão resultados diferentes, e é por isso que os protocolos de amostragem são definidos.

E a variabilidade entre indivíduos

Numa cultura semeada, plantas irmãs diferem. É a razão pela qual a homogeneidade é critério de registo no catálogo europeu.

O que isto significa para o mercado

O cânhamo de CBD alto é recente

Não é uma planta antiga redescoberta: é o resultado de trabalho de melhoramento conduzido com apoio analítico nas últimas décadas.

As variedades registadas foram seleccionadas para caber dentro do limite. É regulação a determinar agronomia, de forma directa e visível.

A margem é apertada

Uma variedade com teor próximo do limite é vulnerável a condições de cultivo. Produtores prudentes escolhem variedades com folga.

E a análise é a única verificação

Nenhuma observação da planta permite estimar o perfil. A distinção entre uma planta de perfil CBD e outra de perfil THC não é visível.

O que um produtor consegue mostrar

A variedade inscrita

Verificável contra o catálogo comum europeu, publicamente e em minutos.

O boletim do lote

Com as formas ácida e neutra separadas, e o total calculado com o factor.

O histórico

Vários lotes ao longo de campanhas, com valores consistentes. É a prova de que a variedade se comporta como declarado.

E o protocolo de amostragem

Quando existe, descreve como a amostra foi colhida. É a informação que separa um número de um número comparável.

Os outros canabinóides que a mesma via explica

O canabicromeno

Produzido pela terceira enzima que compete pelo mesmo precursor. Aparece em quantidades pequenas na maior parte dos perfis.

O canabigerol

É a forma neutra do próprio precursor. Quando a planta produz mais precursor do que as enzimas conseguem converter, acumula-se.

As variedades que o acumulam

Existem linhas seleccionadas para expressar pouca actividade das enzimas de conversão. O resultado é acumulação do precursor.

E o canabinol

Não é produzido pela planta. Forma-se por degradação ao longo do tempo, e é por isso que o seu teor descreve idade e conservação em vez de genética.

Como se lê um perfil completo

As formas ácidas primeiro

São a maioria numa planta não aquecida. Um boletim que só reporta formas neutras está a descrever um material que passou por calor, ou a omitir informação.

As proporções entre canabinóides

Uma planta de perfil CBD mostra tipicamente uma proporção elevada face ao THC total. A razão entre os dois é informativa por si.

Os canabinóides menores

A presença de vários em quantidades pequenas é sinal de material de origem vegetal com processamento mínimo.

E o que a soma deve dar

Um perfil onde a soma dos canabinóides identificados é muito inferior ao esperado sugere painel incompleto ou material diluído.

O que a fiscalização mede em campo

O protocolo de amostragem

Definido, com indicação de que parte da planta se colhe, em que fase e em que quantidade. Sem protocolo, dois resultados não são comparáveis.

O momento

Fase específica do ciclo, definida para que a amostra represente o teor máximo esperado.

O laboratório

Designado, com métodos validados. É outra camada de normalização que a análise comercial nem sempre tem.

E a consequência

Uma cultura cuja amostra ultrapasse o limite fica fora do enquadramento agrícola, independentemente da variedade declarada.

Como isto mudou o sector

A análise tornou-se infra-estrutura

Sem laboratório acessível, este trabalho de melhoramento não teria sido possível. É uma dependência técnica que não existia antes.

As linhas que existem hoje são as que couberam dentro dele. É regulação a moldar genética de forma directa.

A margem tornou-se um activo

Uma variedade com folga face ao limite é comercialmente mais valiosa do que uma no fio da navalha, mesmo com perfil semelhante.

E a verificação passou a ser pública

O catálogo europeu é consultável por qualquer pessoa. É a peça de transparência mais sólida que este sector tem.

Um glossário curto, para não voltar atrás

Precursor — a molécula intermédia a partir da qual as vias se separam.

Locus — a posição de um gene no cromossoma.

Retrocruzamento — cruzar a descendência com um progenitor para fixar uma característica.

LOQ — limite de quantificação: a concentração mais baixa a que o método atribui um valor fiável.

Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

O factor 0,877 explica a conta. O limite de quantificação explica o que «não detectado» significa. O catálogo europeu explica o registo que fixou estas variedades. E os fenótipos explicam a variabilidade que a selecção reduz.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar dois produtos

Compara os perfis completos, com as duas formas separadas. Um boletim que só reporta a forma neutra está a esconder metade da informação.

Se estás a avaliar um vendedor

Pergunta a variedade e verifica-a no catálogo. É a única verificação pública e gratuita que este sector oferece.

Se estás só a tentar perceber

Guarda o mecanismo: duas enzimas competem pelo mesmo precursor, e o gene decide qual domina. Explica tudo o resto, incluindo porque é que o zero não existe.

O que este site publica, e porquê

Exigimos o perfil com as formas ácida e neutra separadas, e calculamos os totais nós próprios. Um valor copiado de uma ficha comercial não entra na máquina.

Um resumo em cinco linhas

  1. As duas vias competem pelo mesmo precursor, e o gene decide qual domina.
  2. Três combinações possíveis: CBD dominante, THC dominante, e proporção próxima de um para um.
  3. O melhoramento fixou a característica por selecção com apoio analítico.
  4. O zero é impossível: há sempre resíduo, e por isso a lei fixa um limite.
  5. A análise é a única verificação. Nenhuma observação da planta revela o perfil.

O que se seleccionou para chegar aqui

Plantas com teor baixo do composto restrito

E teor apreciável do composto de interesse, que é uma combinação pouco comum.

Gerações sucessivas

Com medição em cada uma, porque a característica não se vê.

Estabilização

Até que os descendentes reproduzam o resultado de forma fiável.

Quanto tempo

Anos, e é trabalho anterior a qualquer semente chegar ao mercado.

Porque a combinação é difícil

Os dois compostos partilham a via biossintética

E competem pelo mesmo precursor.

Reduzir um tende a reduzir o outro

Salvo se a selecção actuar sobre a etapa que os separa.

O que isso exige

Trabalho genético dirigido, e não simples selecção por aparência.

O que daí resulta

Um número limitado de variedades que cumprem ambas as condições.

O que o catálogo europeu exige

Inscrição

Com processo formal e avaliação.

Distinção, uniformidade e estabilidade

Os três requisitos de qualquer variedade inscrita.

Teor documentado

Do composto restrito, verificado em ensaios.

O que isso implica

Que a lista de variedades disponíveis para produção legal é curta.

Porque isso limita o mercado

Menos escolha

Do que existe fora do quadro europeu.

Menos diversidade de perfil

Porque a selecção priorizou o teor e não o aroma.

Preços mais altos

Pela oferta limitada de semente certificada.

O que isso explica

Alguma uniformidade da oferta europeia, que muitos atribuem a falta de imaginação.

A verificação no campo

Amostragem oficial

Em período definido, segundo procedimento estabelecido.

O que mede

O teor do composto restrito.

O que acontece se exceder

O porte não pode ser usado para o fim declarado, e a campanha perde-se.

Porque isso pesa tanto

Porque o risco recai inteiramente sobre quem cultiva.

O que faz o teor variar

As condições

Stress, temperatura e luz alteram a proporção entre compostos.

A maturação

O teor desloca-se ao longo das últimas semanas.

A parte da planta

As proporções não são uniformes ao longo do porte.

O que isso implica

Que a mesma variedade pode exceder o limite num ano e cumpri-lo noutro.

Como isto chega ao produto

Pela variedade

Que determina o ponto de partida.

Pelo cultivo

Que o desloca dentro de uma margem.

Pelo processamento

Que concentra tudo, incluindo o composto restrito.

O que decide no fim

O boletim do produto acabado, e não a variedade inscrita.

O que a inscrição garante e não garante

Garante

Que a variedade foi avaliada e que cumpre requisitos.

Não garante

Que um produto derivado cumpra o limite aplicável a produtos.

Porque não

Porque o limite para produtos é outro e a concentração muda o valor.

O que verificar

O boletim do produto, sempre.

O que perguntar

A variedade

E se consta do catálogo comum.

O boletim do produto acabado

Com valor medido do composto restrito e limite aplicável.

O limite de quantificação

Que diz o que um valor baixo significa.

O lote e a data

Como em tudo o resto.

O que fica por dizer

Se estas variedades dão perfil inferior

É afirmação corrente, sem medição publicada que a sustente.

Se a lista vai crescer

Depende de trabalho de melhoramento em curso, com prazos de anos.

O que o produto faz

Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.

O que recomendamos

Verificar a variedade quando o material é europeu, e o boletim sempre.

O que a selecção deixou de fora

O perfil volátil

Que não foi critério de selecção, porque o critério era o teor.

A adaptação local

Que exigiria selecção em cada região e não se fez.

A resistência

Trabalhada em parte, e sempre depois dos dois critérios principais.

O que isso explica

Que a oferta europeia seja tecnicamente conforme e pouco diversa em aroma.

O que poderia mudar

Selecção por perfil

Possível, com análise de terpenos em cada geração.

Selecção regional

Que exigiria programas locais, com anos de trabalho.

Procura por diversidade

Que é o que financiaria qualquer das duas.

Porque ainda não aconteceu

Porque o mercado ainda decide pelo teor e pelo preço, e não pelo perfil medido.

Como se verifica uma variedade

No catálogo comum

Publicado e acessível, com as variedades admitidas para produção na União.

No documento da semente

Que acompanha o lote certificado e identifica a variedade.

No registo da parcela

Junto das entidades competentes, se o produtor o mantiver.

O que o comprador consegue ver

Apenas o que o vendedor decidir publicar, que raramente é alguma destas coisas.

Porque a lista muda

Novas inscrições

Resultado de trabalho de melhoramento concluído.

Retiradas

Quando uma variedade deixa de cumprir requisitos ou de ser mantida.

Revisões

Do próprio quadro, que também evolui.

O que isso implica

Que uma lista consultada há dois anos pode já não estar certa.

Perguntas frequentes

Existe cânhamo com zero THC?

Não em rigor. Existe cânhamo com THC abaixo do limite de quantificação do método usado, o que é diferente.

Porque é que o limite é 0,3% e não zero?

Porque o zero não é biologicamente possível. O limite fixa uma fronteira administrativa sobre uma realidade contínua.

Consigo distinguir as plantas a olho?

Não. O perfil de canabinóides não tem expressão visual utilizável.

Uma variedade pode ultrapassar o limite?

Pode, sobretudo se colhida tarde ou cultivada sob condições que aumentem o teor. É a razão pela qual a fiscalização amostra em campo.

Isto foi obtido por modificação genética?

Não. Foi obtido por selecção e cruzamento convencionais, com apoio de análise laboratorial em cada geração.