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Porque é que o etanol se usa a menos vinte graus

Redação cbdlovers 14 min

O etanol dissolve quase tudo o que há numa planta. É por isso que se usa gelado. À temperatura ambiente arrasta clorofila, ceras e açúcares junto com os canabinóides; a menos vinte ou menos quarenta graus, deixa a maior parte disso para trás.

A temperatura não é um detalhe de processo. É a variável que decide se o extracto sai limpo ou se precisa de três operações de purificação a seguir. Esta página explica porquê, e o que fica por resolver mesmo quando o frio faz o seu trabalho.

⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá, e os extractos seguem o mesmo enquadramento. Esta página descreve um processo industrial e produtos que existem noutros mercados.

Porque é que o etanol é o solvente escolhido

É polar, e isso tem duas faces

O etanol dissolve compostos polares e apolares. Serve para os canabinóides, que são apolares, e serve igualmente para açúcares e clorofila, que não são. A vantagem é a mesma coisa que o problema.

É barato e recuperável

Recupera-se por evaporação e reutiliza-se. Numa operação industrial, o custo do solvente por lote aproxima-se do custo de o recuperar, não do de o comprar.

É aceite em contextos alimentares

Ao contrário de hidrocarbonetos, tem uso estabelecido em produção alimentar. Isso simplifica o enquadramento regulamentar da instalação e reduz as exigências de segurança face a solventes inflamáveis mais voláteis.

E dispensa pressão

Trabalha à pressão atmosférica. Não exige um vaso pressurizado, o que baixa consideravelmente o custo de entrada face à extracção com dióxido de carbono supercrítico.

O que a temperatura faz

A solubilidade não é igual para todos os compostos

Cada composto tem a sua curva de solubilidade em função da temperatura. Descer a temperatura não reduz a extracção de tudo na mesma proporção — reduz muito a de uns e pouco a de outros.

O que o frio deixa para trás

Clorofila, sobretudo. É o composto que mais penaliza um extracto: dá cor escura, sabor amargo e não acrescenta nada. A frio, dissolve-se mal.

Ceras cuticulares, em parte. São a camada protectora da superfície da planta, e a frio ficam largamente insolúveis.

O que continua a dissolver-se

Canabinóides e a maior parte dos terpenos. São o objectivo, e mantêm solubilidade suficiente mesmo a temperaturas muito baixas.

E qual é o preço a pagar

Tempo e energia. Arrefecer volumes grandes de etanol e manter a temperatura durante o contacto é o custo operacional dominante do método.

O processo, passo a passo

Preparação da matéria-prima

Material seco e moído grosseiramente, ou congelado em fresco. A granulometria decide a área de contacto: fino demais dificulta a filtração, grosso demais reduz a extracção.

Arrefecimento

Etanol e matéria-prima são arrefecidos separadamente até à temperatura de trabalho. Misturar sem arrefecer os dois anula a lógica do método nos primeiros segundos de contacto.

Contacto

Curto. Minutos, não horas. Quanto mais tempo o solvente permanece em contacto, mais compostos indesejados consegue dissolver apesar do frio.

Separação e recuperação

O sólido é separado por filtração ou centrifugação, e o etanol é evaporado a baixa pressão para permitir temperaturas de evaporação baixas.

O que sobra para fazer depois

A winterização, quando é preciso

Se a extracção não foi suficientemente fria, as ceras vieram com o resto. A winterização dissolve-as de novo em etanol, arrefece, e filtra o que precipita.

Uma extracção bem feita a frio reduz a necessidade desta etapa — não a elimina sempre.

A remoção do solvente

É a etapa crítica. Evapora-se sob vácuo, e a qualidade do equipamento decide quanto fica.

A descarboxilação, se aplicável

Se o produto final tiver de estar na forma neutra, aplica-se calor controlado. A conversão segue a relação de massas conhecida:

CBD total = CBD + (CBDA × 0,877)

E a normalização da concentração

O extracto é diluído num óleo portador até à concentração de rótulo. É aqui que a escolha do portador entra, e é uma escolha que muda o produto.

A tabela dos três caminhos com solvente

Etanol a frioCO2 supercríticoHidrocarboneto
Pressão de trabalhoatmosféricamuito altamoderada
Custo do equipamentobaixo a médioaltomédio
Selectividademédia, dependente da temperaturaajustávelalta
Ceras extraídaspoucas, se muito friopoucaspoucas
Clorofila extraídapouca, se muito friomuito poucamuito pouca
Escala típicaaltamédia a altamédia
Painel de solventesindispensávelindispensávelindispensável

O que o boletim mostra

O painel de solventes residuais

É a análise que descreve o risco específico deste método. O etanol tem limites definidos em farmacopeia como solvente de classe 3 — a classe de menor toxicidade — mas «menor» não é «nenhuma».

Como se lê a linha do etanol

Valor medido e limite. O que interessa é a margem: um valor a metade do limite descreve um processo com folga; um valor a noventa por cento descreve um processo no fio da navalha.

O que mais pode aparecer

Solventes de lavagem e resíduos de processo que não vieram do etanol. Um painel curto que só reporta etanol pode estar a omitir o que interessava ver.

E a cor, que não está no boletim

Um extracto muito escuro indica clorofila. Não é um contaminante perigoso, mas é um indicador directo de que o frio não foi suficiente ou o contacto foi longo demais.

Os erros de leitura mais comuns

«Etanol é natural, logo é seguro»

O solvente é o mesmo composto que existe em bebidas fermentadas, mas o que interessa é a concentração residual num produto concentrado — e isso mede-se, não se assume.

«Extracção a frio significa que não houve calor nenhum»

O frio aplica-se ao contacto. A recuperação do solvente envolve sempre calor, ainda que sob vácuo para o manter baixo.

«Extracto escuro é mais completo»

É mais rico em clorofila. Espectro completo mede-se pelo perfil de canabinóides e terpenos, não pela cor.

E «se diz full spectrum, tem tudo»

A expressão não tem definição legal. Um perfil publicado com valores por composto é a única forma de verificar o que a palavra afirma.

Do extracto ao frasco que se compra

O extracto não é o produto

O que sai da extracção é matéria-prima industrial: uma pasta concentrada, com percentagens de canabinóides muito acima de qualquer rótulo de retalho. Nunca é vendida assim.

A diluição decide o rótulo

O extracto é incorporado num óleo portador até à concentração anunciada. Um frasco de dez mililitros a 10% contém aproximadamente mil miligramas de canabidiol; o resto é portador.

Isso quer dizer que a maior parte do que está no frasco não veio da extracção — veio da diluição.

Porque é que o portador conta tanto

Porque é a fracção dominante em massa. A escolha entre triglicéridos de cadeia média, azeite ou óleo de semente de cânhamo altera sabor, viscosidade e prazo de validade do produto acabado.

E porque é que a conta se faz no fim

O preço por miligrama só é comparável depois de conhecidos volume e concentração. Dois frascos com o mesmo preço e concentrações diferentes são produtos com preços por miligrama muito diferentes, e a etiqueta não faz essa conta por ninguém.

As perguntas que valem a pena fazer a um produtor

«A que temperatura foi feita a extracção?»

Um número. Quem produz sabe-o de cor; quem revende raramente o tem.

«Qual é o valor de etanol residual no boletim, e qual é o limite?»

Dois números, e a margem entre eles. É a pergunta que separa um processo controlado de um processo que apenas passou.

«Houve winterização?»

Se houve, a extracção não foi suficientemente fria — o que não é defeito, mas é informação sobre o processo.

E «qual é o portador, e em que proporção?»

Descreve a maior parte do frasco. Uma resposta vaga aqui é uma resposta vaga sobre quase todo o produto.

Um glossário curto, para não voltar atrás

Winterização — dissolver de novo em etanol a frio e filtrar as ceras que precipitam.

Solvente de classe 3 — categoria de solventes de menor toxicidade reconhecida em farmacopeia, onde o etanol se inclui.

LOQ — limite de quantificação: a concentração mais baixa a que o método atribui um valor fiável.

Descarboxilação — a perda do grupo ácido que converte CBDA em CBD, com calor.

Factor 0,877 — a razão de massas dessa conversão.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

Os solventes residuais no boletim explicam o painel linha a linha. A extracção com CO2 supercrítico descreve o caminho alternativo com solvente. O destilado e o isolado explicam o que acontece a jusante. E o óleo portador explica a diluição final.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar dois produtos

Compara os painéis de solventes, não as declarações de método. O método é uma afirmação; o painel é uma medição.

Se estás a avaliar um vendedor

Pergunta a temperatura de extracção e o limite reportado para o etanol. Quem sabe responder tem acesso à ficha de processo; quem não sabe está a revender sem informação.

Se estás só a tentar perceber

Guarda a ideia central: a temperatura é o filtro. No etanol, o que se dissolve depende do frio, e por isso o frio é o processo — não um pormenor dele.

O que este site publica, e porquê

Exigimos painel de solventes em qualquer produto obtido com solvente, seja qual for o solvente. É uma regra de dados, aplicada no build, e não depende de quem escreve a ficha.

Um resumo em cinco linhas

  1. O etanol dissolve quase tudo; o frio é o que o torna selectivo.
  2. A clorofila e as ceras são o que o frio deixa para trás, e são o que mais penaliza um extracto.
  3. O contacto é curto: minutos, não horas.
  4. O painel de solventes é indispensável, e o que interessa é a margem face ao limite.
  5. Um extracto herda o limite de 0,3% de THC total com a concentração multiplicada.

Porque o frio importa neste processo

O solvente dissolve quase tudo

Incluindo clorofila, ceras e açúcares, que depois é preciso remover.

O frio reduz a solubilidade

Sobretudo dos compostos que não se querem.

O que isso poupa

Passos de limpeza posteriores, cada um dos quais custa massa e perfil.

Onde está o limite

O frio também reduz o rendimento. É o compromisso central do processo.

Como se mantém o frio

Pré-arrefecendo o solvente

Durante tempo suficiente para que todo o volume atinja a temperatura.

Pré-arrefecendo o material

Que de outro modo aquece o solvente ao entrar em contacto.

Trabalhando depressa

Contacto curto, para que a temperatura não suba durante a operação.

O erro mais comum

Material à temperatura ambiente colocado em solvente frio, o que anula o efeito.

O tempo de contacto

Curto

Dissolve o que se dissolve mais depressa, que é sobretudo o que interessa.

Longo

Dissolve também o que se dissolve devagar, que é sobretudo o que não interessa.

A ordem de grandeza

Minutos, e não horas.

O que isso implica

Que o tempo é tão determinante como a temperatura, e é a variável mais fácil de errar.

A separação do material vegetal

Por filtração

Em volumes pequenos.

Por centrifugação

Em volumes maiores, por ser mais rápida e mais completa.

Porque a rapidez importa

Porque enquanto houver contacto, continua a dissolver-se o que não se quer.

O que fica

Material vegetal com solvente residual, que também tem de ser removido antes de descartar.

A remoção do solvente

Por evaporação

A pressão reduzida, para que baste temperatura baixa.

Quanto tempo

Horas a dias, conforme o volume.

O que se perde

Parte da fracção volátil, que sai com o solvente.

Como se atenua

Captando essa fracção em separado e devolvendo-a no fim.

O painel de solventes

É obrigatório aqui

Porque foi usado solvente e é preciso demonstrar que foi removido.

O que deve conter

O solvente efectivamente usado, com valor medido, limite aplicável e método.

O que não serve

Um painel genérico que não inclua o solvente do processo.

Porque isto falha tanto

Porque o processo raramente é declarado, e sem ele não se sabe que painel exigir.

O que os limites dependem

Da classificação da substância

Que decorre de avaliação e não de hábito comercial.

Da classe em que se insere

Cada uma com limites próprios, que diferem por ordens de grandeza.

Do que consta do certificado

Valor e limite ao lado, sem o que o número não se interpreta.

O que se deve exigir

O par valor-limite, sempre.

O que este processo não resolve

Contaminantes do material

Que se concentram, como em qualquer extracção.

Qualidade da matéria-prima

Que atravessa qualquer processo.

A necessidade dos outros painéis

Que se mantêm todos.

O que resolve

Um rendimento alto com equipamento comparativamente acessível.

Como se compara com outros processos

Rendimento

Alto, dos mais altos disponíveis.

Selectividade

Baixa por natureza, compensada pelo frio.

Painéis

Exige o de solventes, ao contrário dos processos mecânicos e do fluido pressurizado.

Custo

Inferior ao do equipamento de pressão, superior ao dos métodos mecânicos.

O que fica por dizer

Se é o melhor processo

Depende do que se procura e da escala. É o mais usado por razões económicas.

Quanto frio é preciso

Circulam valores sem medição publicada que os sustente.

O que o produto faz

Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.

O que recomendamos

Verificar que o painel de solventes cobre o solvente efectivamente usado.

A humidade do material de partida

Porque vale a pena secar antes

A água dissolve-se no solvente e altera as suas propriedades, reduzindo a selectividade.

O que a água provoca depois

Complica a evaporação, porque sai a ritmo diferente do solvente.

A alternativa

Material congelado, onde a água está retida em gelo e não passa para o solvente.

O que isso permite

Trabalhar material fresco sem o secar, preservando a fracção volátil.

O que se faz ao material vegetal que sobra

Seca-se

Para que o solvente residual saia.

Mede-se

Para saber quanto obsteve por extrair, se o processo o justificar.

Descarta-se ou reprocessa-se

Conforme o teor que ainda contenha.

Porque se menciona

Porque também carrega solvente e não pode ser descartado sem esse cuidado.

Perguntas frequentes

Porque é que se usa etanol e não outro solvente?

Custo, recuperabilidade e aceitação em contexto alimentar. Não é o mais selectivo — é o mais praticável à escala.

Menos vinte ou menos quarenta graus?

Ambos aparecem. Mais frio dá extracto mais limpo e custa mais em energia e em tempo de arrefecimento.

A winterização é sempre necessária?

Não. Uma extracção suficientemente fria reduz muito a fracção de ceras, e há processos que a dispensam.

O etanol residual é perigoso?

É um solvente de classe 3, a categoria de menor toxicidade, com limites definidos. O que interessa é o valor medido e a margem face a esse limite.

Um extracto claro é sempre melhor?

Indica menos clorofila, o que é bom para o sabor. Não diz nada sobre contaminantes nem sobre o perfil de canabinóides.