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O preço por miligrama, e como se faz a conta

Redação cbdlovers 16 min

Nenhuma loja de CBD portuguesa mostra o preço por miligrama. Mostram o preço do frasco, a percentagem, e por vezes o total em miligramas — mas nunca a divisão, que é a única forma de saber qual dos produtos é mais barato.

A conta demora trinta segundos e muda a conclusão em mais de metade dos casos. Esta página explica como se faz, onde engana, e o que ela não mede.

A fórmula

Em dois passos

1. Miligramas totais na embalagem:

mg = volume (ml) × percentagem × 10

2. Preço por miligrama:

€/mg = preço ÷ mg

Um exemplo completo

Um frasco de 10 ml a 5% por 30 €.

mg = 10 × 5 × 10 = 500 mg €/mg = 30 ÷ 500 = 0,060 €/mg

O caso que mostra porque é que a conta importa

Frasco AFrasco B
Volume10 ml30 ml
Concentração5%10%
Preço30 €90 €
CBD total500 mg3000 mg
€/mg0,0600,030

O frasco B custa o triplo na prateleira e metade por miligrama.

Qualquer comparação feita pelo preço da etiqueta chega à conclusão exactamente errada — e é assim que a maior parte das compras é feita.

De onde vêm os números

O volume

Está no rótulo, em mililitros. Se não estiver, a conta não se faz.

A percentagem

Também no rótulo. Mas há uma armadilha: confirma-a no boletim.

E porque é que se confirma

Porque o total de canabidiol calcula-se a partir das linhas individuais, com o factor de conversão:

CBD total = CBD + (CBDA × 0,877)

Muitas descrições de produto somam CBD e CBDA directamente, sem aplicar o factor. Isso sobrestima o produto — sempre para cima, sempre a favor de quem vende.

Um extracto com 7% de CBD e 3% de CBDA é frequentemente anunciado como «10%». A conta correcta dá 9,63%.

O preço

O preço final, com IVA e sem contar portes. Os portes distribuem-se por encomenda, não por produto, e distorcem a comparação quando se compara produtos de preços muito diferentes.

Onde a conta engana

Não compara espectro

Um isolado e um extracto de espectro completo com o mesmo €/mg não são o mesmo produto. O primeiro é canabidiol sozinho; o segundo tem canabinóides menores e terpenos.

Não compara portador

MCT, azeite e óleo de sementes de cânhamo têm sabor, estabilidade e prazo diferentes. E o portador é noventa por cento de um frasco a 10%.

Não compara análise

Um produto com quatro painéis de contaminantes e outro com um podem ter o mesmo €/mg. Estás a pagar o mesmo por informação muito diferente.

Não compara entre formatos

Um óleo a 10% e uma resina a 30% não se comparam por percentagem nem, com utilidade, por €/mg. São matrizes diferentes com usos diferentes.

E não conta o que se estraga

Um frasco grande é mais barato por miligrama e degrada-se durante mais tempo em casa. Se metade oxidar antes de ser usada, o €/mg efectivo — o do produto consumido em condições — é pior do que o do frasco pequeno.

O que a conta mede bem

Dentro da mesma categoria

Dois óleos, dois e-líquidos, duas cápsulas. Aí a comparação é directa e informativa.

Dentro do mesmo espectro

Dois isolados, ou dois extractos de espectro completo. Aí o €/mg isola a variável do preço.

Como primeiro filtro

Elimina os candidatos claramente piores em trinta segundos, e deixa dois ou três para comparar a sério pelos boletins.

Uma grelha para preencher

Produto AProduto BProduto C
Volume (ml)
Percentagem
mg totais
Preço
€/mg
Espectro (do boletim)
Portador
Boletim é do lote?
Quantos painéis?

Quase sempre acontece uma de duas coisas. Ou os três empatam no €/mg e separam-se nas últimas quatro linhas — e aí sabes o que estás a pagar a mais. Ou um é muito mais barato e tem as últimas quatro linhas vazias, e aí também sabes.

Porque é que ninguém publica isto

Porque é uma comparação que não favorece quem vende

Um catálogo ordenado por €/mg põe em cima o que dá menos margem. É a razão pela qual as lojas ordenam por «mais popular» e «recomendado», que são categorias sem definição.

Porque exige declarar o volume e a percentagem

E há produtos em que um dos dois falta, precisamente para impedir a conta.

E porque expõe as embalagens pequenas

Frascos de 10 ml a percentagens baixas têm quase sempre o pior €/mg do catálogo, e são frequentemente os produtos de entrada.

Três exemplos com números do mercado

Os valores abaixo são construídos a partir de gamas correntes no mercado europeu, e servem para mostrar como a conta muda a leitura.

Exemplo 1: a percentagem que engana

AB
Volume10 ml10 ml
Percentagem5%20%
Preço20 €60 €
mg totais5002000
€/mg0,0400,030

O produto de 20% parece três vezes mais caro e é 25% mais barato por miligrama. É o padrão mais comum: as concentrações altas quase sempre ganham na conta.

Exemplo 2: quando o barato é mesmo barato

AB
Volume30 ml10 ml
Percentagem10%10%
Preço75 €30 €
mg totais30001000
€/mg0,0250,030

Aqui a diferença é modesta. O frasco grande ganha, e a decisão passa a depender de quanto tempo o produto vai durar em casa.

Exemplo 3: quando o €/mg não decide

AB
€/mg0,0400,044
Espectroisoladocompleto
Painéis35
Perfil de terpenosnãosim
Boletim do lotegenéricodo lote

Onze por cento de diferença no €/mg, e o produto B traz duas análises adicionais, o perfil da planta e um boletim que corresponde ao frasco.

Aqui a conta serviu para mostrar que os dois estão próximos. A decisão faz-se nas outras linhas — e é exactamente para isso que o €/mg é o primeiro filtro e não o último.

O que fazer com uma folha de cálculo

Se compras com alguma regularidade, uma tabela simples com sete colunas — produto, volume, percentagem, mg, preço, €/mg, e data — resolve a maior parte das decisões futuras.

Ao fim de meia dúzia de compras tens uma referência pessoal do que é caro e do que é barato no teu mercado, que é mais útil do que qualquer média publicada.

Um glossário curto, para não voltar atrás

€/mg — preço a dividir pelo total de miligramas de canabidiol. A comparação que é aritmética.

Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra. Sem ele, o total está sobrestimado.

Portador — a gordura em que o extracto está dissolvido. O ingrediente maioritário.

Espectro — isolado, largo ou completo. Confirma-se na tabela de canabinóides do boletim.

LOQ — limite de quantificação. A concentração mais baixa a que o método atribui um valor fiável.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

O que o preço mede explica a estrutura de custos por trás do número. O factor 0,877 explica porque é que o total tem de ser calculado e não copiado. E porque é que dois produtos iguais diferem descreve as variáveis que o €/mg não capta.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar

Faz a conta para todos os candidatos antes de olhar para qualquer outra coisa. Elimina metade.

Se estás a avaliar uma loja

Vê se o volume e a percentagem estão sempre declarados. Uma loja em que um dos dois falta com frequência está a dificultar a conta, deliberadamente ou não.

Se estás só a tentar perceber

Guarda a fórmula: volume × percentagem × 10 = miligramas. É a única aritmética que este sector exige, e resolve mais decisões do que qualquer outro conhecimento.

O que este site publica, e porquê

Calculamos o €/mg a partir de volume, concentração e preço — nunca copiado do vendedor — e ordenamos por esse valor, do mais barato para o mais caro. Um €/mg introduzido à mão é o campo onde um erro de digitação vira uma comparação falsa, e por isso o valor é sempre derivado.

E quando o produto não é um óleo

Nos e-líquidos

A conta é igual, com uma diferença de unidade: a concentração vem tipicamente em mg/ml, e não em percentagem. O total é volume × mg/ml.

Nas cápsulas

Mais simples ainda: o rótulo declara os miligramas por cápsula e o número de cápsulas. O total é a multiplicação directa.

Nas resinas e flores

A percentagem refere-se à massa, e o total é gramas × percentagem × 10. A conta funciona; a comparação com outros formatos é que perde significado.

Nos cosméticos

Aqui o €/mg tem pouca utilidade. A quantidade de canabidiol num creme não se relaciona de forma simples com o que interessa avaliar, e o enquadramento aplicável é outro.

Um resumo em cinco linhas

  1. O boletim tem de ser do lote que vais receber. Sem isso, é um documento sobre outra produção.
  2. O CBD e o THC totais calculam-se com o factor 0,877 sobre a fracção ácida. A soma directa sobrestima sempre, e sempre a favor de quem vende.
  3. Os quatro painéis de contaminantes contam-se: metais, pesticidas, micotoxinas e solventes. O último só faz sentido em produtos obtidos com solvente — e é o que mais falta neles.
  4. O preço por miligrama é a única comparação que é aritmética e não opinião. Faz-se a partir do volume, da percentagem e do preço, nunca a partir de um número apresentado por quem vende.
  5. Em Portugal o limite é 0,3% de THC total para o cânhamo industrial, nos termos da Portaria n.º 64/2023. E um concentrado não herda o estatuto da matéria-prima: mede-se no produto final.

Como se calcula

Encontrar os miligramas totais

No rótulo ou no boletim. Se só houver percentagem e volume, converte-se.

Dividir o preço

Pelo total, incluindo portes quando fazem diferença.

Comparar

Ofertas de volumes e concentrações diferentes ficam na mesma escala.

O que costuma acontecer

A ordem de preferência muda, e o produto que parecia caro deixa de o ser.

Porque a percentagem confunde

Depende do volume

Uma percentagem alta num frasco pequeno pode dar menos massa do que uma baixa num grande.

Parece uma medida de qualidade

E não é. É uma proporção.

Favorece o vendedor

Porque permite apresentar um número grande sem entregar mais conteúdo.

O que resolve

Converter antes de comparar. Sempre.

O que entra no preço

A matéria-prima

Uma fracção menor do que se supõe.

O processamento

Cada passo acrescenta custo e reduz massa.

As análises

Por lote, com custo por unidade a descer com o volume.

Tudo o resto

Embalagem, transporte, plataforma, publicidade e margem.

Quando o preço alto tem explicação

Painéis completos

Que a maioria não faz.

Rastreabilidade

Que exige trabalho administrativo real.

Processo dispendioso

Com rendimento baixo por razões técnicas.

O que têm em comum

São verificáveis. Um preço alto sem nenhuma destas coisas não tem explicação.

Quando o preço baixo merece atenção

Pode ser eficiência

Volume, integração, estrutura leve.

Pode ser omissão

Análises não feitas, painéis incompletos.

Como se distingue

Pelo boletim, e não pelo preço.

O que não fazer

Assumir qualquer das leituras sem verificar.

O erro de comparar formatos

Óleo e cápsulas

Comparam-se por miligrama, com a ressalva da absorção.

Flor e extractos

Idem, com a ressalva do modo de uso.

O que a divisão capta

O custo do conteúdo.

O que não capta

Diferenças de absorção e de perfil, que devem ser ditas quando se compara.

O papel dos portes

Invertem comparações

Com frequência, sobretudo em compras pequenas.

Devem entrar na conta

Porque fazem parte do que se paga.

O que muitos comparadores ignoram

Justamente isso.

Como se resolve

Somando antes de dividir.

O que a divisão revela sobre uma loja

Se o preço por miligrama é constante

Entre produtos da mesma casa, há coerência.

Se varia muito

Há posicionamento, e vale a pena perceber porquê.

Se o teor não está em miligramas

A loja não quer que se divida.

O que isso significa

Que a facilidade de calcular é, em si, um sinal.

Como registar a comparação

Numa folha simples

Produto, volume, teor total, preço, portes, preço por miligrama.

Ao longo do tempo

Para ver como cada casa evolui.

Com o boletim ao lado

Porque o teor declarado e o medido podem divergir.

Para que serve

Para que a segunda compra seja melhor informada do que a primeira.

O que fica por dizer

Qual o preço justo

Não existe referência publicada, e a comparação relativa é tudo o que há.

Se o mais caro é melhor

Não há correlação demonstrada.

O que o produto faz

Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.

O que recomendamos

Dividir sempre, incluir portes, e comparar com o boletim ao lado.

O caso das promoções

Descontos por quantidade

Que mudam o preço por miligrama e devem entrar na conta.

Ofertas de portes

Que também mudam.

Pacotes

Onde o preço por miligrama pode ser pior do que a soma das partes.

O que fazer

Calcular com os valores efectivos, e não com os anunciados.

O que a divisão não mede

A qualidade

Que se mede no boletim.

A absorção

Que difere entre formatos.

A constância

Que só se vê comparando lotes ao longo do tempo.

Porque ainda assim vale a pena

Porque elimina de imediato as ofertas desproporcionadas, que são muitas.

Como se compara o custo real

Somar tudo

Preço, portes e qualquer taxa aplicável.

Dividir pelos miligramas

Totais, medidos e não declarados, quando houver boletim.

Comparar na mesma escala

Ofertas de formatos diferentes ficam comparáveis.

O que a conta revela

Frequentemente, que o produto anunciado como económico não o é.

O que a conta revela sobre uma casa

Coerência interna

Se o preço por miligrama é semelhante entre produtos da mesma casa.

Posicionamento

Se varia muito, há uma decisão comercial por trás que vale a pena perceber.

Transparência

Se o teor está em miligramas, a casa não teme a divisão.

O que isso permite

Escolher entre casas antes de escolher entre produtos.

Onde a conta muda de resultado

Em embalagens grandes

Onde a percentagem baixa esconde uma massa total superior.

Em promoções por quantidade

Que alteram o preço efectivo por miligrama.

Com portes incluídos

Que em compras pequenas podem dominar a comparação.

O que isso significa

Que a mesma oferta pode ser a melhor ou a pior conforme o que se some antes de dividir.

O que a conta não decide

Se o produto serve

Que depende do formato e de outras considerações.

Se o teor é real

Que depende do boletim.

Se a casa é constante

Que só um histórico de lotes revela.

Para que serve então

Para eliminar de imediato as ofertas desproporcionadas, que são muitas.

Um exemplo aritmético

Duas ofertas

Uma a dez por cento em dez mililitros; outra a cinco por cento em trinta.

A massa total

A primeira dá mil miligramas; a segunda dá mil e quinhentos.

O preço por miligrama

Inverte-se face à impressão que a percentagem dava.

O que isto mostra

Que a percentagem sozinha ordena mal as ofertas, e que a divisão as reordena.

Perguntas frequentes

Devo incluir os portes?

Não, ao comparar produtos. Os portes distribuem-se por encomenda e distorcem a comparação. Inclui-os ao decidir a compra final.

E se o produto não declarar a percentagem?

Declarará os miligramas totais, provavelmente. Se não declarar nenhum dos dois, não é comparável e essa é a informação relevante.

O mais barato por miligrama é o melhor?

É o mais barato. Se é o melhor depende do espectro, do portador, dos painéis e da data — que o €/mg não mede.

Porque é que os frascos grandes são sempre mais baratos por mg?

Porque o custo da embalagem, do rótulo e da expedição se dilui. É real, e só compensa se o produto for consumido dentro da validade.

Isto aplica-se a resinas e flores?

A aritmética aplica-se; a utilidade é menor, porque a comparação entre matrizes diferentes tem menos significado. Dentro da mesma categoria, funciona.