A família que demora a florir e ninguém abandona
É a família mais inconveniente de cultivar e a mais persistente do catálogo comercial. Floração longa, estrutura irregular, plantas altas e rendimento por área que qualquer híbrido moderno bate sem esforço. E continua lá, cinquenta anos depois, com dezenas de descendentes.
A explicação não está na agronomia: está no perfil aromático. Esta página descreve a linhagem, o que a define tecnicamente, e porque é que o mercado paga a inconveniência.
⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá. Esta página descreve história de melhoramento vegetal e destina-se a compreensão.
A origem
A costa oeste norte-americana
A linhagem estabeleceu-se nos anos setenta, a partir do cruzamento de genéticas de origem equatorial e subtropical trazidas de várias regiões.
O que se juntou
Material de proveniências distantes entre si, com uma característica comum: adaptação a latitudes onde a duração do dia varia pouco ao longo do ano.
A travessia para a Europa
Nos anos oitenta, a linhagem chega aos Países Baixos e entra no circuito comercial de sementes que então se formava.
E o que aconteceu a seguir
Tornou-se o material parental de uma parte substancial do catálogo comercial europeu das décadas seguintes.
O que define a família, tecnicamente
Floração longa
É a característica que mais a distingue. O ciclo de floração é significativamente mais longo do que o de praticamente qualquer outra linhagem comercial.
Estrutura alongada
Internódios longos, ramificação aberta, plantas altas. A flor forma-se ao longo do ramo em vez de se concentrar num ponto.
Densidade baixa
Flores arejadas em vez de compactas. É uma desvantagem comercial em apresentação e uma vantagem em resistência a problemas de humidade.
E o perfil aromático
O que justifica tudo o resto: um registo descrito como cítrico, especiado e resinoso, com uma nota característica que a tradição associa a incenso.
Porque é que a floração é tão longa
A origem equatorial
Perto do equador, a duração do dia varia pouco ao longo do ano. Uma planta adaptada a essas condições não desenvolveu um mecanismo de floração rápida em resposta a noites longas.
O que isso implica em latitudes altas
A planta floresce devagar, e em exterior europeu pode não completar o ciclo antes das chuvas de Outono.
Como se resolve
Em interior, com controlo de fotoperíodo. Em exterior, com estufa ou com latitudes mais a sul.
E o que isso custa
Tempo. Um ciclo mais longo significa menos colheitas por ano e mais consumo energético por colheita em interior.
A tabela do compromisso
| Linhagem Haze | Híbrido moderno típico | |
|---|---|---|
| Duração da floração | muito longa | curta a média |
| Altura | alta | média a baixa |
| Densidade da flor | baixa | alta |
| Rendimento por área | menor | maior |
| Resistência a humidade | boa | variável |
| Facilidade de cultivo | baixa | alta |
| Distinção aromática | muito alta | variável |
Os descendentes
Os cruzamentos com genéticas de ciclo curto
A estratégia dominante: cruzar com material de floração rápida para reduzir o ciclo mantendo parte do perfil.
O que se ganha
Ciclo praticável, estrutura mais compacta, rendimento superior.
O que se perde
Parte da distinção aromática. É o compromisso que define praticamente toda a descendência comercial.
E os nomes que circulam
Dezenas, com o termo incorporado ou aludido. A presença do nome indica ascendência declarada, e não garante nada sobre o perfil.
O que isto tem a ver com cânhamo de CBD alto
As linhas de CBD herdaram estrutura
Várias variedades de cânhamo de perfil CBD descendem de cruzamentos com esta linhagem, feitos para transportar o perfil aromático para plantas conformes.
O que a genética de CBD acrescentou
A versão do gene que dirige a via do canabidiol. É uma característica de um único locus, e transporta-se com relativa facilidade entre linhas.
O que o cruzamento manteve
Parte do perfil de terpenos, que é herança poligénica e muito mais difícil de transportar intacta.
E o que isso significa num rótulo
Um nome comercial que alude à linhagem descreve ascendência declarada. O perfil verifica-se no boletim de terpenos, se existir.
O que se verifica, e o que não
O nome
Não é verificável. Não existe registo de linhagens comerciais nem entidade que as ateste.
A ascendência declarada
Verificável em teoria por análise genética, e nunca feita comercialmente pelo custo.
O perfil de terpenos
Verificável, quando publicado. É a única forma de confirmar que um produto tem o perfil que o nome sugere.
E o resto
THC total = delta-9-THC + (THCA × 0,877)
A conta e o limite de 0,3% aplicável em Portugal ao cânhamo industrial não dependem do nome comercial nem da linhagem.
Porque é que a família sobreviveu
A distinção
Num mercado onde muitos produtos se parecem, um perfil imediatamente reconhecível é um activo comercial durável.
A reputação
Cinquenta anos de presença criam vocabulário, expectativas e procura. O nome tornou-se categoria.
O papel parental
Mesmo quem nunca cultivou a linhagem original cultiva descendentes dela. A influência é estrutural.
E a inconveniência como sinal
Uma linhagem que sobrevive apesar de ser difícil de cultivar sobreviveu por mérito próprio, e não por conveniência agronómica.
O perfil aromático, por dentro
Os compostos associados
O registo característico é atribuído a uma combinação de terpenos, com predominância de compostos de nota cítrica e de nota especiada.
O que a torna reconhecível
Não é um composto único: é a proporção entre vários. É por isso que reproduzir o perfil por adição de terpenos isolados dá resultados que não convencem.
Porque é que se perde nos cruzamentos
Perfil é herança poligénica. Cada cruzamento com material de perfil diferente dilui a combinação original.
E porque é que se perde na pós-colheita
Secagem apressada e calor levam primeiro os compostos mais leves — que são exactamente os que dão a nota distintiva.
O que um cultivo desta família exige
Espaço vertical
Plantas altas, com crescimento continuado durante a floração. É a restrição prática mais imediata.
Paciência
Semanas adicionais de floração face a qualquer híbrido moderno. Em interior, isso é custo energético directo.
Gestão de dossel
Praticamente obrigatória, pela estrutura alongada. Sem ela, a distribuição de luz é péssima.
E tolerância a rendimento inferior
O compromisso central. Quem cultiva esta família aceita produzir menos por área.
Como se lê um nome desta linhagem
Como declaração de ascendência
O produtor afirma que o material descende desta família. Não é verificável e é tipicamente verdade.
Como expectativa de perfil
Razoável, e a verificar no boletim de terpenos.
Como expectativa de estrutura
Flor menos densa e mais arejada do que a média. É o que a linhagem transmite com mais consistência.
E como garantia
Nunca. Não há registo de linhagens comerciais nem entidade que as ateste.
O que sobreviveu ao tempo
O nome como categoria
Deixou de designar uma variedade e passou a designar um tipo. É o destino de qualquer nome comercial com meio século.
O perfil como referência
Continua a ser o padrão contra o qual outros perfis cítricos e especiados são descritos.
O papel parental
Presente em grande parte do catálogo actual, mesmo onde o nome não aparece.
E a lição agronómica
Que uma característica suficientemente distinta compensa inconveniências que qualquer análise de custos recomendaria evitar.
Um glossário curto, para não voltar atrás
Internódio — o segmento de caule entre dois pontos de inserção de folhas.
Linhagem — o conjunto de variedades que descendem de um material parental comum.
Herança poligénica — a que depende de muitos genes, e por isso difícil de transportar intacta.
Fotoperíodo — a duração relativa de luz e escuro num ciclo de 24 horas.
Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra.
As cinco verificações que servem para tudo
- Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
- O laboratório é independente e acreditado?
- O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
- Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
- Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?
Como isto se cruza com o resto do site
Os terpenos principais identificam os compostos do perfil. O fotoperíodo explica porque é que a floração é longa. A genética de CBD alto explica como o perfil foi transportado para variedades conformes. E os fenótipos explicam porque é que o mesmo nome dá produtos diferentes.
O que fazer com isto na prática
Se estás a comparar dois produtos
O nome não decide. Pede o perfil de terpenos, que é onde a característica que o nome invoca se verifica.
Se estás a avaliar um vendedor
Um que descreve a ascendência com detalhe está a partilhar o que sabe. Um que a apresenta como garantia de perfil está a afirmar mais do que consegue sustentar.
Se estás só a tentar perceber
Guarda a razão de origem: plantas equatoriais não desenvolveram floração rápida, porque não precisavam dela. Toda a inconveniência decorre daí.
O que este site publica, e porquê
Registamos o nome comercial como nome comercial, e o perfil de terpenos quando existe. Nunca apresentamos o nome como descrição do conteúdo.
Os nomes que circulam, e o que cada um sugere
Os que incorporam o termo directamente
Indicam ascendência declarada. É a maioria, e cobre variedades com proporções muito diferentes desta linhagem.
Os que aludem sem o dizer
Nomes que evocam a nota característica sem usar a palavra. Comuns, e igualmente não verificáveis.
Os que numeram gerações
Algumas casas identificam a geração ou o indivíduo seleccionado. É a prática mais séria, e é rara.
E o que fazer com qualquer deles
Ler como declaração de ascendência e verificar o perfil de terpenos. É a única sequência que produz informação.
Um resumo em cinco linhas
- É a linhagem mais inconveniente de cultivar e a mais influente do catálogo.
- A floração longa vem da origem equatorial, onde a duração do dia varia pouco.
- A estrutura é aberta e a densidade baixa — má apresentação, boa resistência a humidade.
- A descendência troca perfil por praticabilidade, e é esse o compromisso de quase todos os cruzamentos.
- O nome não é verificável. O perfil de terpenos é.
De onde vem esta família
De cruzamentos entre origens distantes
Combinando material de proveniências geográficas afastadas.
Quando
Ao longo de várias décadas, num trabalho que se estendeu por gerações de melhoradores.
O que a caracterizou
Ciclo de floração longo e um perfil de aroma reconhecível.
O que a tornou influente
O facto de estar na ascendência de muitas linhas posteriores.
Porque o ciclo longo importa
Custa mais
Mais semanas de cultivo significam mais energia e mais ocupação de espaço.
Complica o exterior
Porque a colheita cai mais tarde, com maior risco meteorológico.
O que se ganhava
Um perfil que o mercado procurava, e que justificava o custo.
O que se fez depois
Cruzamentos para encurtar o ciclo, com perda parcial das características originais.
O que resta nas versões actuais
O nome
Que se manteve e se multiplicou.
Parte do perfil
Em proporção variável, conforme os cruzamentos posteriores.
O ciclo
Encurtado na maioria das versões comerciais.
O que não resta
A correspondência ao material original, que ninguém pode verificar.
Porque o nome se espalhou tanto
Reputação
Construída ao longo de décadas.
Ausência de protecção
Que permite a qualquer casa usá-lo.
Facilidade de composição
Acrescentando um segundo nome, cria-se um membro novo.
O resultado
Dezenas de designações que partilham o nome e pouco mais.
O que isto tem a ver com o material europeu
A variedade inscrita é outra
Porque a produção legal exige variedade do catálogo comum.
O nome no rótulo
Descreve a expectativa de perfil, não a variedade.
A distância entre os dois
Não é explicada em lado nenhum.
O que verificar
A variedade inscrita, que é pública e verificável.
O que se pode verificar num produto
O teor
No boletim do lote.
Os painéis
Conforme a origem.
A data
Que explica boa parte do aroma que se nota.
O que não se verifica
A filiação genética, que em flor exigiria análise que ninguém faz.
O que o aroma indica
Frescura
Comparativamente, entre duas amostras.
Perfil
Que se pode descrever mas não medir sem análise específica.
O que não indica
Origem, filiação ou teor.
O que resolveria
Uma análise de perfil volátil por lote, que existe e quase nunca se pede.
Como comparar duas amostras do mesmo nome
Pelos boletins
Teor, painéis, lote e data.
Pelo aroma ao corte
À mesma temperatura, uma de cada vez.
Pelo preço por miligrama
Que remove o efeito do formato.
Pelo que não se compara
A fidelidade ao nome, que não é verificável.
O que perguntar
A variedade registada
Se o material é europeu.
A data de colheita
Que situa o material no tempo.
O boletim
Com lote e data coincidentes.
O que a resposta revela
Se a casa acompanha o material ou apenas o revende.
O que fica por dizer
Se o material corresponde ao nome
Não é verificável hoje.
Se o perfil é o original
Alterou-se com os cruzamentos posteriores, e não há referência para comparar.
O que o produto faz
Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.
O que recomendamos
Ler o nome como história e decidir pelo boletim.
O que o ciclo longo exigia de quem cultivava
Paciência
Semanas adicionais face às linhas de ciclo curto.
Espaço ocupado
Durante mais tempo, com custo de oportunidade real.
Vigilância sanitária
Porque quanto mais tempo, maior a exposição.
O que compensava
Um perfil que o mercado procurava e pagava.
O que os cruzamentos posteriores procuravam
Encurtar o ciclo
Que era a limitação económica principal.
Manter o perfil
Objectivo declarado e nunca totalmente alcançado.
Aumentar o rendimento
Que veio com as linhas usadas para encurtar.
O que se perdeu pelo caminho
Parte do que definia a família, sem que o nome o registasse.
Como isto se lê num catálogo actual
Nomes compostos
Onde o original é apenas metade.
Ciclos declarados
Que revelam quanto foi encurtado, quando o vendedor os indica.
Descrições de aroma
Que descrevem a expectativa e não o lote.
O que verificar
O boletim, como sempre, e a data.
O que a reputação de uma família faz ao preço
Sobe
Porque o nome é reconhecido e a procura acompanha.
Sem correspondência medida
Porque nada no boletim distingue material desta família de outro.
O que sustenta a diferença
Expectativa de perfil, que quase nunca é verificada por análise.
O que resolveria
Uma análise de perfil volátil por lote, comparável entre casas.
O que aconteceu às linhas originais
Continuam a existir
Em colecções e em bancos de sementes especializados.
Não se cultivam em larga escala
Pelo ciclo longo e pelo rendimento inferior.
Não estão no catálogo comum
E por isso não podem ser cultivadas legalmente na União para este fim.
O que resta delas
A ascendência de muitas linhas actuais, e o nome.
Perguntas frequentes
Porque é que demora tanto a florir?
Porque descende de material adaptado a latitudes equatoriais, onde a duração do dia varia pouco e não há pressão para florir depressa.
É difícil de cultivar?
Comparativamente. Ciclo longo, plantas altas e rendimento inferior ao de híbridos modernos.
Existe em cânhamo de CBD alto?
Existem variedades que declaram esta ascendência. A verificação faz-se pelo perfil de terpenos, não pelo nome.
O nome significa alguma coisa em concreto?
Designa uma linhagem por convenção comercial. Não há registo nem entidade que o ateste.
Serve para cultivo em exterior em Portugal?
O clima do sul dá estação de crescimento longa, o que ajuda. O risco continua a ser a chuva de Outono apanhar a floração ainda a decorrer.
Vale o preço?
Depende do que procuras. Se é distinção aromática, é onde a família se defende. Se é concentração por euro, não.