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As variedades cítricas e a molécula por trás

Redação cbdlovers 14 min

A nota cítrica tem um nome e uma fórmula: é limoneno. É o mesmo composto que domina o óleo essencial da casca da laranja e do limão, e é um dos terpenos mais abundantes na natureza.

Quando uma variedade cheira a citrinos, é porque o perfil de terpenos tem limoneno em proporção elevada. Não é metáfora nem sugestão: é literalmente a mesma molécula. Esta página explica como se verifica, e porque é que a nota se perde tão facilmente.

⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá. Esta página descreve química de terpenos e destina-se a compreensão.

O composto

O que é

Um monoterpeno cíclico, presente em grande quantidade no óleo essencial da casca dos citrinos e distribuído por centenas de espécies vegetais.

Onde se encontra além disto

Casca de laranja, limão, lima e toranja. Também em coníferas, em plantas aromáticas e em muitos óleos essenciais comerciais.

As duas formas

A molécula existe em duas versões que são imagens espelhadas uma da outra. Uma tem aroma associado a laranja; a outra, associado a limão e a pinho.

E porque é que isso importa

Porque descrever «cítrico» é impreciso. A proporção entre as duas formas decide se a nota se aproxima da laranja ou do limão, e poucos boletins as separam.

Porque é que a nota se perde com facilidade

É um monoterpeno

Cadeia curta, massa molecular baixa, ponto de ebulição comparativamente baixo. Evapora com facilidade à temperatura ambiente.

A secagem leva a maior parte

É a fase em que mais se perde. Dias de exposição ao ar a temperatura moderada bastam para remover uma fracção significativa.

O calor acelera

Qualquer aumento de temperatura acelera a evaporação. É a razão pela qual a secagem lenta e fresca é o padrão.

E a oxidação transforma

Além de evaporar, o composto oxida. Os produtos de oxidação têm aroma diferente, e é por isso que material antigo cheira a outra coisa em vez de cheirar a menos.

Como se verifica

O boletim de terpenos

A única forma. Um perfil publicado com valores por composto identifica o limoneno e quantifica-o.

O que procurar

A posição do limoneno na lista e a sua proporção face ao total. Um perfil com o composto em posição dominante corresponde à descrição comercial.

O que a ausência de boletim significa

Que a descrição é uma afirmação sem prova. Não é necessariamente falsa — é apenas não verificável.

E a armadilha

Terpenos podem ser adicionados a um produto. Um perfil muito simples, com um ou dois compostos dominantes e pouco mais, sugere adição em vez de origem vegetal.

A tabela dos terpenos mais comuns

CompostoNota associadaOnde mais se encontra
Limonenocitrinoscasca de laranja e limão
Mircenoterroso, herbáceolúpulo, tomilho
Pinenopinho, resinaconíferas, alecrim
Linalolflorallavanda
Cariofilenopimenta, especiariapimenta preta, cravinho
Terpinolenofresco, complexonoz-moscada, macieira
Humulenoamadeiradolúpulo

O que a nota cítrica descreve, e o que não

Descreve composição

Um perfil com limoneno dominante. É informação química real e verificável.

Descreve expectativa sensorial

O que se vai sentir ao cheirar. É útil e é o que a descrição comercial pretende comunicar.

Não descreve efeito

Não existe na União Europeia uma única alegação de saúde autorizada para o canabidiol nem para terpenos em produtos desta categoria, e este site não faz nenhuma.

E não descreve qualidade

Um perfil cítrico não é superior a um perfil terroso. São perfis diferentes, e a preferência é pessoal.

As variedades associadas

Os nomes que evocam citrinos

Numerosos, e frequentemente descritivos do perfil pretendido. Como qualquer nome comercial, não são verificáveis.

O que a linhagem sugere

Variedades descendentes de linhagens equatoriais tendem a apresentar perfis com mais limoneno. É uma tendência, não uma regra.

O que o cruzamento faz ao perfil

Dilui. Perfil é herança poligénica, e cada cruzamento com material de perfil diferente aproxima o resultado da média.

E o que isso implica

Que dois produtos com o mesmo nome cítrico podem ter perfis bastante diferentes. O boletim é a única forma de saber.

Como se preserva a nota

Secagem lenta e fresca

A decisão com maior impacto. Cada grau a mais e cada dia a menos custam fracção volátil.

Maturação em recipiente fechado

Reduz a perda face a material exposto ao ar. É outra razão para a etapa.

Conservação ao abrigo de luz e calor

Os dois factores que aceleram evaporação e oxidação.

E consumo em prazo razoável

Um perfil cítrico é o primeiro a esvaziar-se. Material com meses perdeu a característica que o distinguia.

O que isto ensina sobre perfis em geral

A fracção volátil é a mais frágil

É a que se perde primeiro em qualquer produto, e a que menos aparece descrita com números.

Os compostos leves partem primeiro

O perfil desloca-se para o registo terroso e amadeirado com o tempo, porque os compostos pesados resistem mais.

A pós-colheita pesa tanto como a genética

Uma variedade com potencial cítrico mal seca não cheira a citrinos. A genética dá a possibilidade; a pós-colheita decide se ela chega ao frasco.

E o boletim de terpenos é raro

É a análise mais informativa sobre carácter e a menos publicada. Pedir por ela é razoável, e a resposta é informativa por si.

Como se treina a identificação

Comparar com a fonte

Cheirar casca de laranja e casca de limão lado a lado, e depois o produto. A comparação directa educa o nariz mais depressa do que qualquer descrição.

Isolar as notas

Um perfil raramente é um composto só. Identificar a nota dominante e depois procurar as secundárias é o método que funciona.

Repetir com referência

Guardar uma amostra conhecida como referência e comparar contra ela. É como qualquer prova sensorial organizada funciona.

E registar

Anotar o que se sentiu, com data e lote. Sem registo, cada prova recomeça do zero.

O que muda entre produtos

Na flor

O perfil é o que a planta produziu, modulado pela pós-colheita. É o caso mais próximo do original.

Nas resinas separadas mecanicamente

Concentra-se o que estava nos tricomas. O perfil mantém-se qualitativamente e sobe em intensidade.

Nos extractos com solvente

Depende inteiramente do processo. Uma evaporação a temperatura alta remove a fracção leve e o perfil desloca-se.

E nos produtos formulados

O perfil é o que foi adicionado. Tende a ser mais simples e mais uniforme entre lotes do que qualquer perfil de origem vegetal.

As perguntas que vale a pena fazer

«Há perfil de terpenos deste lote?»

A pergunta que separa uma descrição verificável de uma afirmação.

«Que método de secagem foi usado?»

Decide quanto da fracção volátil chegou ao produto.

«Há quanto tempo foi embalado?»

O perfil cítrico é o primeiro a esvaziar-se. Meses são muito tempo para esta característica.

E «foram adicionados terpenos?»

Uma pergunta directa com resposta simples. Quem formula sabe, e quem responde está a informar.

As outras notas frescas, e o que as produz

Pinho e resina

Atribuída ao pineno, que existe em duas formas e é o composto dominante do óleo essencial de várias coníferas.

Fresco e ligeiramente doce

Frequentemente associada ao terpinoleno, um composto de perfil difícil de descrever e reconhecível quando isolado.

Floral

Linalol, o mesmo composto que domina o óleo essencial da lavanda.

E o que todas partilham

São monoterpenos, e por isso partilham a fragilidade descrita nesta página: partem primeiro, e a pós-colheita decide quanto sobra.

Um glossário curto, para não voltar atrás

Monoterpeno — terpeno de cadeia curta, volátil, responsável pelas notas frescas.

Enantiómero — cada uma das duas formas espelhadas de uma molécula quiral.

Perfil de terpenos — a lista quantificada dos terpenos presentes numa amostra.

Oxidação — reacção com o oxigénio, que transforma os compostos em vez de os remover.

Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

Os terpenos principais descrevem a família completa. Como os terpenos se perdem explica as temperaturas em causa. A secagem lenta explica a etapa onde a perda é maior. E a família Haze descreve a linhagem mais associada a perfis cítricos.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar dois produtos

Pede o perfil de terpenos aos dois. É a única comparação que verifica o que a descrição afirma.

Se estás a avaliar um vendedor

Um que publica perfis de terpenos por lote está a fazer o que quase ninguém faz. É um sinal forte.

Se estás só a tentar perceber

Guarda a identidade: é a mesma molécula da casca da laranja. Não é analogia — é o mesmo composto.

O que este site publica, e porquê

Registamos o perfil de terpenos quando existe, com valores por composto. Descrições aromáticas sem perfil ficam registadas como afirmação do vendedor.

Como o perfil se lê num boletim

A unidade

Tipicamente percentagem em massa, ou miligramas por grama. As duas convertem-se, e o boletim indica qual usa.

O total

A soma dos terpenos identificados. Um valor total baixo indica material com fracção volátil reduzida, seja por genética, seja por pós-colheita.

A lista

Quantos compostos foram quantificados. Um painel com poucos compostos descreve menos do que um com muitos, mesmo que o resultado pareça semelhante.

E os limites de quantificação

Compostos abaixo do limite aparecem como não detectados. Não significa ausência — significa abaixo do que o método mede.

Um resumo em cinco linhas

  1. A nota cítrica é limoneno, o mesmo composto da casca dos citrinos.
  2. Existe em duas formas espelhadas, com notas ligeiramente diferentes.
  3. É frágil: evapora com facilidade e oxida, transformando-se noutra coisa.
  4. A secagem é onde mais se perde, e a genética não compensa uma pós-colheita apressada.
  5. Só o perfil de terpenos verifica o que a descrição comercial afirma.

O que dá o carácter cítrico

Uma família de compostos voláteis

Presente também na casca de vários frutos, e é daí que vem o reconhecimento imediato. Não é exclusiva desta planta nem foi criada para ela.

Onde se aloja

Nas glândulas resinosas da superfície. É material de superfície, e por isso o mais exposto a tudo o que lhe aconteça depois da colheita.

Porque desaparece primeiro

Porque é a fracção mais volátil. Evapora à temperatura ambiente e sai a cada manuseamento, a cada abertura de frasco e durante a secagem.

O que sobra quando sai

O fundo mais pesado do perfil, que resiste melhor. É a razão pela qual material antigo cheira menos a fruta e mais a erva seca.

Porque duas plantas da mesma origem cheiram diferente

A expressão genética

Sementes do mesmo pacote não dão indivíduos idênticos. Cada uma exprime a herança de maneira própria.

As condições de cultivo

Luz, temperatura, nutrição e stress alteram a proporção entre compostos. A mesma genética em dois sítios dá dois perfis.

O momento da colheita

O perfil desloca-se ao longo da maturação. Antecipar ou atrasar uma semana muda o que se cheira.

O que se conclui

Que o nome comercial descreve uma expectativa e não uma garantia. A variação faz parte do material.

O que a secagem faz ao aroma

Retira água, e mais alguma coisa

A fracção volátil sai junto. Quanto mais rápida e mais quente a secagem, maior a perda.

O papel da temperatura

Uma secagem morna acelera o processo e leva mais aroma consigo. Uma secagem lenta em ambiente fresco preserva mais e demora dias.

O papel do movimento do ar

Corrente forte seca depressa por fora e arrasta compostos. Corrente fraca é mais lenta e mais conservadora.

O que não volta

O que saiu. Pode acrescentar-se perfil depois, e isso é outra coisa, com outra designação.

A adição de perfil depois do facto

Como se faz

Reintroduzindo compostos voláteis, de origem vegetal ou não, sobre material que os perdeu ou nunca os teve em quantidade.

Porque se faz

Porque o aroma vende, e porque é mais barato acrescentar do que conduzir bem a secagem e a conservação.

É legítimo

É, desde que declarado. O problema não é a prática, é a omissão.

Como se desconfia

Aroma intenso e uniforme em material de aspecto envelhecido, ou cheiro que não se altera ao corte. São indícios, não provas.

O que a conservação decide

O frio

Abranda todas as perdas. É a variável com maior efeito e a mais fácil de garantir.

O escuro

A luz degrada os compostos que dão aroma e desloca a cor. Recipiente opaco ou gaveta resolvem igualmente.

O ar

Cada abertura leva uma fracção. Frascos pequenos perdem menos por unidade do que um frasco grande aberto muitas vezes.

A humidade

Baixa de mais torna o material quebradiço e as glândulas partem-se ao toque. Alta de mais levanta risco microbiológico.

O que o boletim diz e não diz sobre isto

Diz o teor

De canabinóides, que é o que a maioria dos boletins cobre.

Pode dizer o perfil volátil

Se houver análise específica, que se pede em separado e custa à parte.

Raramente a há

Porque ninguém a exige, e é justamente a análise que documentaria aquilo por que o produto é escolhido.

O que a ausência implica

Que o argumento do aroma fica por verificar, embora fosse dos mais fáceis de verificar.

O que perguntar

A data de colheita

Porque o perfil volátil é o primeiro a partir e a idade explica quase tudo o que se nota.

O modo de secagem

Se está indicado. Explica diferenças entre lotes do mesmo produtor.

Se houve adição

Pergunta directa, resposta directa. A ausência de resposta também informa.

O lote e o teor

Como em qualquer outro produto, porque é o que liga documento e embalagem.

O que fica por resolver

A falta de vocabulário comum

Os descritores de aroma não estão fixados em lado nenhum e cada casa usa os seus.

A falta de análise de rotina

A tecnologia existe e o custo é conhecido. O que falta é procura.

A confusão entre variedade e perfil

Nomes de variedade circulam como se garantissem aroma, e não garantem.

O que mudaria isto

Análise do perfil volátil publicada por lote. Enquanto não houver, a descrição continua a ser tudo o que existe.

Como comparar duas amostras pelo aroma

Ao corte, não à superfície

A superfície já perdeu a fracção mais leve. O interior é o que mais se aproxima do material tal como foi guardado.

À temperatura ambiente

Material frio liberta menos. Deixar aquecer na mão alguns segundos antes de cheirar aproxima as duas amostras das mesmas condições.

Uma de cada vez, com intervalo

O olfacto satura depressa. Duas amostras seguidas dão uma comparação em que a segunda sai sempre a perder.

O que a comparação decide

Qual das duas está mais fresca, e mais nada. Não decide teor, nem pureza, nem origem.

Perguntas frequentes

É mesmo o mesmo composto da laranja?

É. Limoneno é limoneno, independentemente da planta que o produz.

Porque é que o meu produto deixou de cheirar a citrinos?

Evaporação e oxidação. É o primeiro composto a partir, e o que fica tem aroma diferente.

Terpenos adicionados são detectáveis?

Não por análise de rotina. Um perfil muito simples, com um ou dois compostos e pouco mais, é o indício disponível.

Um perfil cítrico é melhor?

É diferente. Preferência de perfil é pessoal, e não corresponde a nenhuma hierarquia de qualidade.

Onde vejo o perfil?

No boletim de terpenos, quando existe. É a análise mais informativa sobre carácter e a menos publicada.