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Temperaturas de vaporização, terpeno a terpeno

Redação cbdlovers 14 min

Cada composto tem uma temperatura a partir da qual passa a fase gasosa em quantidade apreciável. Aquecer devagar liberta-os por ordem: primeiro os mais leves, depois os intermédios, e por fim os canabinóides.

É essa a lógica de escolher uma temperatura em vez de aceitar a que o aparelho traz por defeito. Esta página dá a escala, explica o que cada patamar liberta, e desmonta a diferença entre o número que se lê e o que acontece dentro da câmara.

⚠️ Nota de enquadramento. A autorização de cultura da DGAV cobre fibra e semente; a inflorescência não está lá. Esta página descreve física de volatilização e destina-se a compreensão. Não descreve efeitos, e não existe na União Europeia qualquer alegação de saúde autorizada para o canabidiol.

A escala, composto a composto

CompostoInício de volatilização apreciávelNota
Alfa-pineno~155 °Cpinho
Beta-cariofileno~160 °Cpimenta
Mirceno~167 °Cterroso
Limoneno~176 °Ccitrinos
CBD~180 °C
Terpinoleno~186 °Cfresco
Linalol~198 °Cfloral
Humuleno~198 °Camadeirado
CBN~185 °C
Bisabolol~153 °Cfloral suave

Os valores são pontos de ebulição de referência à pressão atmosférica, e servem de ordenação. Numa matriz vegetal, a libertação começa antes e é gradual.

Porque é que a escala é uma ordenação e não uma receita

O ponto de ebulição não é um interruptor

Um composto começa a volatilizar bastante antes de atingir o ponto de ebulição. O valor da tabela marca onde a libertação se torna rápida, não onde começa.

A matriz vegetal complica

Os compostos não estão puros: estão dentro de uma estrutura, misturados uns com os outros. A libertação real desvia-se do comportamento de composto isolado.

A pressão importa

Os valores de referência são à pressão atmosférica. Qualquer variação desloca-os.

E a mistura desloca tudo

Numa mistura, cada composto influencia a volatilidade dos outros. É química de soluções, e não aritmética de tabelas.

Os patamares, na prática

Abaixo dos 170 graus

Liberta-se sobretudo a fracção volátil mais leve. O vapor é fino, o aroma é máximo, e a extracção de canabinóides é parcial.

Entre 175 e 190 graus

O intervalo mais usado. Compromisso entre aroma preservado e libertação de canabinóides.

Entre 190 e 210 graus

Extracção mais completa, vapor mais denso, aroma perceptivelmente reduzido — a fracção leve já saiu.

E acima dos 220 graus

Aproxima-se do ponto onde o material vegetal começa a degradar-se de forma visível. O vapor ganha carácter de queimado e deixa de ser vaporização no sentido pretendido.

A diferença entre o número no ecrã e a realidade

O que o ecrã mostra

A temperatura medida por um sensor, tipicamente junto ao elemento de aquecimento e não no meio do material.

O que acontece na câmara

Um gradiente. O material junto à fonte de calor está mais quente do que o do centro, por vezes com diferença de dezenas de graus.

O efeito da inalação

Ar frio a passar pela câmara arrefece o material. A temperatura durante a passagem é inferior à indicada.

E o que isso implica

Que o número no ecrã é uma referência do aparelho e não uma medição do que o material experimenta. Dois aparelhos com o mesmo valor produzem resultados diferentes.

Condução e convecção

O aquecimento por condução

O material está em contacto com uma superfície quente. Simples, barato, e com gradiente térmico acentuado.

O aquecimento por convecção

O ar quente atravessa o material. Distribuição muito mais uniforme e sem contacto directo com a superfície de aquecimento.

O que isso muda

Em condução, o material junto à parede degrada-se antes de o resto aquecer. Em convecção, a libertação é mais homogénea.

E os sistemas híbridos

Combinam os dois, com o objectivo de reduzir o gradiente sem o custo de uma convecção pura.

O que a moagem muda

A superfície exposta

Material mais fino tem mais superfície e liberta mais depressa. É a variável com maior efeito depois da temperatura.

A homogeneidade

Uma moagem uniforme aquece de forma uniforme. Fragmentos de tamanhos muito diferentes produzem extracção desigual.

A compactação

Material demasiado comprimido restringe a passagem de ar e prejudica a convecção. Demasiado solto deixa o ar passar sem contactar.

E o efeito no aroma

Material moído perde fracção volátil enquanto espera. Moer imediatamente antes preserva; moer com antecedência não.

Como escolher uma temperatura

Se a prioridade é o aroma

Começar baixo. A fracção volátil sai primeiro e é onde o carácter está.

Se a prioridade é a eficiência

Subir. Mais temperatura extrai mais do material disponível.

A abordagem em escada

Começar baixo e subir progressivamente ao longo da sessão. Aproveita as duas coisas em vez de escolher uma.

E o que evitar

Temperatura máxima desde o início. Volatiliza tudo de uma vez, perde o aroma imediatamente e aproxima-se do ponto de degradação.

O que se verifica no material

O aspecto depois

Material bem vaporizado fica castanho uniforme. Preto indica degradação; verde indica extracção incompleta.

O aroma residual

Deve estar praticamente ausente se a extracção foi completa. Aroma residual forte indica que sobrou fracção volátil.

O que sobra tem uso

Material já vaporizado mantém compostos não volatilizados. É frequentemente aproveitado para infusão.

E o que isso confirma

Que a vaporização é uma extracção parcial e selectiva, e não uma destruição total. É a diferença essencial face à combustão.

O que o material deixa no aparelho

Resíduo na câmara

Acumula-se com o uso e altera a transferência de calor. Uma câmara suja aquece de forma diferente da de fábrica.

O efeito no sabor

Resíduo antigo aquecido acrescenta carácter que não vem do material que se está a usar.

A limpeza

Regular, com o método que o fabricante indicar. É manutenção banal com efeito directo no resultado.

E o que uma câmara limpa garante

Que a temperatura indicada corresponde ao que a concepção do aparelho previu. É o mínimo para que a escala desta página signifique alguma coisa.

O que muda entre flor e concentrado

A matriz

Um concentrado não tem estrutura vegetal. A libertação é mais directa e a temperatura pedida é tipicamente diferente.

A necessidade de suporte

Concentrados exigem acessório próprio — um recipiente ou uma malha —, porque escorrem quando liquefazem.

A ordem de libertação

A mesma lógica: os leves primeiro. O que muda é a rapidez, porque não há tecido vegetal a atrasar.

E o risco de degradação

Maior. Sem matriz vegetal a distribuir o calor, um ponto quente degrada o material com facilidade.

O que distingue vaporização de combustão

A temperatura

A combustão acontece muito acima do intervalo desta página. É outra ordem de grandeza.

O que se forma

A combustão gera produtos de pirólise que a vaporização não gera. É a diferença estrutural entre as duas.

O que sobra

Vaporização deixa material castanho com compostos por extrair. Combustão deixa cinza.

E o que isso implica na escolha da temperatura

O limite superior útil está bastante abaixo do ponto de combustão. Passar dele não acrescenta extracção — muda o processo.

Um glossário curto, para não voltar atrás

Ponto de ebulição — a temperatura à qual um líquido passa a gás em quantidade rápida, a uma dada pressão.

Condução — transferência de calor por contacto directo.

Convecção — transferência de calor por movimento de um fluido, neste caso ar.

Gradiente térmico — a diferença de temperatura entre pontos de um mesmo espaço.

Factor 0,877 — a razão de massas que converte a forma ácida na neutra.

As cinco verificações que servem para tudo

  1. Há lote na embalagem, e o boletim é desse lote?
  2. O laboratório é independente e acreditado?
  3. O CBD total e o THC total estão calculados com o factor 0,877?
  4. Quantos painéis de contaminantes tem o boletim, e quais?
  5. Qual é o preço por miligrama, depois de feita a conta?

Como isto se cruza com o resto do site

Como os terpenos se perdem explica o que a temperatura faz fora do aparelho. Os terpenos principais identificam os compostos da tabela. O moinho explica a variável da moagem. E o factor 0,877 explica a conversão que o calor provoca.

O que fazer com isto na prática

Se estás a comparar dois aparelhos

Pergunta o método de aquecimento antes do intervalo de temperaturas. Convecção e condução produzem resultados diferentes ao mesmo número.

Se estás a avaliar um produto

Um material com perfil de terpenos publicado permite escolher a temperatura em função do que lá está. Sem perfil, é adivinhar.

Se estás só a tentar perceber

Guarda a ordem: os leves saem primeiro, os canabinóides depois. Toda a lógica de escolher temperatura decorre daí.

O que este site publica, e porquê

Registamos perfis de terpenos quando existem. São o que torna a escolha de temperatura uma decisão informada em vez de uma preferência.

O que a temperatura faz aos canabinóides

A descarboxilação

Calor converte a forma ácida na neutra, segundo a relação de massas conhecida:

CBD total = CBD + (CBDA × 0,877)

É a conversão que qualquer aquecimento provoca, e é gradual com a temperatura e o tempo.

O que isso muda no que se liberta

Um material aquecido devagar converte progressivamente. Um aquecimento brusco converte menos e volatiliza mais depressa.

A degradação a temperaturas altas

Acima de determinado ponto, os canabinóides degradam-se em vez de se converterem. É o limite superior prático da escala desta página.

E o que continua fixo

O limite de 0,3% de THC total aplicável em Portugal ao cânhamo industrial nos termos da Portaria n.º 64/2023 mede-se no produto, não no que se liberta ao aquecer.

Um resumo em cinco linhas

  1. Cada composto tem um ponto de volatilização — a escala é uma ordenação, não uma receita.
  2. Os leves saem primeiro; os canabinóides depois.
  3. O número no ecrã não é o da câmara. Há gradiente, e a inalação arrefece.
  4. Convecção distribui melhor do que condução ao mesmo valor indicado.
  5. A abordagem em escada aproveita o aroma primeiro e a eficiência depois.

O que a temperatura decide

Abaixo de certo valor

Pouco se liberta, e o vapor produzido tem pouca substância.

Num intervalo intermédio

Liberta-se progressivamente mais, com o perfil a deslocar-se conforme os compostos vão saindo.

Acima de certo valor

Começa a haver degradação e formação de produtos que não se pretendem.

O que isso implica

Que existe um intervalo útil, e que as extremidades dele têm inconvenientes diferentes.

Porque os compostos saem por ordem

Volatilidade diferente

Cada composto evapora a partir de uma temperatura própria, o que cria uma sequência.

Os voláteis primeiro

As notas mais leves libertam-se em primeiro lugar, a temperaturas mais baixas.

Os menos voláteis depois

Incluindo o composto principal, que exige temperatura superior.

O que isso permite

Extrair fracções diferentes do mesmo material variando a temperatura ao longo do uso.

O que se perde a temperatura baixa

Parte do composto principal

Que não se liberta em quantidade apreciável abaixo de certo valor.

Eficiência

Porque fica material por aproveitar quando se termina.

O que se ganha

Perfil mais completo e ausência de produtos de degradação.

O compromisso

Que é o mesmo de sempre entre quantidade e preservação.

O que se perde a temperatura alta

O perfil

Que já se libertou e se perdeu antes de se atingir essa temperatura.

A qualidade do vapor

Que passa a conter produtos de decomposição do material vegetal.

O que se ganha

Mais material libertado por sessão, o que é a razão pela qual se usa.

O que não se recupera

Os compostos degradados, que não voltam.

O que acontece acima do intervalo útil

Combustão

Que é um processo diferente e produz um conjunto de compostos que se pretendia evitar.

Sabor característico

Que é o sinal mais imediato de que se passou o limite.

Perda do propósito

Porque a razão de usar temperatura controlada era justamente não chegar aí.

Como se evita

Com equipamento que meça e regule, e não apenas que aqueça.

O que o equipamento decide

A precisão

Da temperatura efectivamente atingida, que pode diferir muito da indicada.

A uniformidade

Do aquecimento, que evita pontos quentes onde há degradação local.

O tipo de contacto

Por condução ou por convecção, com resultados diferentes.

O que isso implica

Que o mesmo valor indicado em dois aparelhos não corresponde à mesma temperatura real.

O que se observa no material usado

Cor alterada

Que passa de verde a castanho conforme a temperatura e o tempo.

Cor muito escura

Que indica temperatura excessiva ou uso prolongado.

Material praticamente inalterado

Que indica temperatura insuficiente e material por aproveitar.

O que isso permite

Ajustar, com base numa observação simples e imediata.

A moagem e a densidade de enchimento

Moagem uniforme

Que permite aquecimento homogéneo em todo o volume.

Moagem demasiado fina

Que compacta e impede a passagem do ar, com aquecimento desigual.

Enchimento demasiado apertado

Que produz o mesmo problema por outra via.

O que resolve

Moagem média e enchimento sem compressão, que é a recomendação corrente.

O que não está documentado

A composição do vapor

Que se forma e que ninguém analisa em produtos correntes.

As diferenças entre equipamentos

Que existem e não são comparadas de forma sistemática.

O efeito da temperatura no que se liberta

Descrito qualitativamente, raramente quantificado.

O que isso deixa

Recomendações que circulam sem base publicada e que se repetem entre sítios.

O que fica por dizer

Qual a temperatura ideal

Depende do material, do equipamento e do que se procura, e não há valor universal.

Se a diferença se mede

Mede-se, com análise do vapor, que praticamente não se faz.

O que o produto faz

Não existe alegação autorizada na União que o permita descrever.

O que recomendamos

Começar em baixo e subir, observando o material, em vez de partir de um número lido algures.

O que se ajusta durante o uso

A temperatura ao longo da sessão

Subindo gradualmente, para aproveitar fracções sucessivas em vez de as perder de uma vez.

O tempo de cada patamar

Que determina quanto de cada fracção se liberta antes de subir.

A quantidade de material

Que condiciona a uniformidade do aquecimento.

O que se observa para decidir

A cor do material, que indica quanto já foi aproveitado.

O que o material usado revela sobre a sessão

Cor uniforme

Indica aquecimento homogéneo em todo o volume, que é o objectivo.

Zonas escuras isoladas

Indicam pontos quentes, geralmente por enchimento demasiado apertado.

Material praticamente verde

Indica temperatura insuficiente e material por aproveitar.

O que isso permite

Corrigir a sessão seguinte com base numa observação que leva segundos.

Perguntas frequentes

Qual é a temperatura certa?

Não há uma. Baixo preserva aroma e extrai menos; alto extrai mais e perde aroma. A escada aproveita os dois.

Porque é que dois aparelhos com o mesmo valor dão resultados diferentes?

Método de aquecimento, posição do sensor e desenho da câmara. O número indicado é uma referência do aparelho, não uma medição do material.

O material castanho no fim é normal?

É o esperado numa extracção completa. Preto indica degradação; verde indica que sobrou muito por extrair.

Vale a pena guardar o material já vaporizado?

Mantém compostos não volatilizados e é frequentemente aproveitado para infusão, que exige gordura.

Porque é que o mesmo material sabe diferente em sessões seguidas?

Porque a primeira passagem leva a fracção leve. O que fica é o registo mais pesado, e é isso que a segunda passagem liberta.

A moagem importa assim tanto?

É a variável com maior efeito depois da temperatura. Uniformidade e compactação decidem se o calor chega a todo o material.